Diário de bordo: Estou arrumando a mala…

arruamndoIsso mesmo! Arrumando “a mala”. Uma mala só. Super básica, somente com o necessário para a viagem. Sairemos do Rio de Janeiro a quase 30 graus para chegar em um Amsterdam gelada beirando 0 graus. Um choque térmico de cara!

Depois de um city tour pela cidade, embarcaremos para o nosso destino – Israel, mais  precisamente Tel Aviv, onde chegaremos de madrugada, com uma temperatura já mais alta, na casa dos 12 graus. Maravilha!!!

ams novembroCaminharemos por Israel durante o dia com temperatura média de 22 graus, o que é muito agradável. Uma calça comprida confortável, uma camiseta e malha só por precaução já resolvem a questão!!!

E, mais para o final do mês, numa manhã, bem cedinho, embarcaremos de volta, fazendo o roteiro da ida ao contrário, só que euzinha permaneço por um dia em Amsterdam e vou no dia seguinte para a Itália – onde a temperatura máxima será de 8 graus e a mínima de 1 grau durante o período de minha permanência lá.

jerusalemPortanto, imaginem como será minha mala – 23 quilos apenas é o que posso levar por causa do voo entre Holanda e Itália, que tem quase as mesmas regras que os nossos voos BH/SP, por exemplo. Bologna (1)

Pois bem, então fiz a seguinte opção: comprei uma roupa términa para colocar por baixo de calças e camisas – um coringa, além disso vou levar um bom casaco de frio, cachecol, gorro e luvas. Uma bota de cano curto e sem salto. Calças confortáveis, blusas e camisas que não amarrotam. Um casado leve. Um tênis para as caminhadas. E pronto! Sem frescura! Sem estresse!

Depois de pronta, vou postar uma foto.

Próximo passo é deixar as coisas em casa em ordem!

Bauzinho de piadas do vovô

bauSou primeira filha, primeira neta e acho que até primeira bisneta. Passei minha infância sendo muito mimada pelos meus avós. Dois lindos, maravilhosos, melhores avós do mundo! Me ensinaram muito, mas uma história me marcou profundamente. Eu acreditava neles de olhos fechados. Tudo o que eles falavam era verdade pra mim. Eles eram meus super super super heróis. Então…

Meu avó era muito bem humorado. Adorava contar piadas, histórias engraçadas. Quando eu estava com ele, sentada em seu colo, só queria saber das histórias do vovô. Eu amava demais estes momentos.

Lembro de um dia muito especial, eles me deixaram sozinha em casa por algum motivo. Eu não tinha mais que cinco anos. Foi algo muito rápido mas na mente de uma criança o tempo fica marcado de forma diferente… pareceu muito tempo. Tempo suficiente para abrir armários, olhar debaixo de todas as camas, vasculhar a despensa, mexer na cristaleira (local que era totalmente proibido pra mim) e nada de achar o que estava procurando. Caí em prantos, desolada, sentada no chão da cozinha. Foi assim que meu avô me encontrou.

Primeira pergunta:
___ Betinha, minha querida, o que foi? O que você está fazendo aí?

No meio do choro, respondo:
___ Eu não achei, vovô, eu não achei. Não achei seu Bauzinho de Piadas!

Explico: sempre que eu perguntava para meu avô de onde ele tirava tantas histórias e piadas, ele dizia que tinha um bauzinho guardado em casa e tirava de lá quando as dele acabavam. Imagine! Um suprimento sem fim de histórias alegres. Eu queria isso pra mim e por isso, eu estava atrás do “Bauzinho” aquele dia.

Meu avó riu muito, me abraçou carinhosamente e disse:
___ Betinha, não tem bauzinho de histórias e piadas não. É mais uma história do vovô. Fica tudo aqui óh ( ele apontou para a cabeça dele). Cabe tudo aqui dentro. aprende uma coisa, minha filha, aqui dentro (da cabeça) cabe o mundo e ninguém pode tirar o que você guardar aqui. Guarde as histórias do vovô na sua cabecinha e você nunca esquecerá o vovô.

Emocionada, eu digo que, não só nunca esqueci meu querido avô Manuel que morreu sorrindo, mas aprendi para o resto da vida que ninguém pode tirar de mim o que aprendo, minhas experiências. É de verdade um grande tesouro!!

Saudade de ser criança! Saudades do vovô!!

E te darei filhas…

filhasQuem me conhece sabe que só tenho um filho, Gabriel, razão da minha vida e objeto de meu amor incondicional. Sabe, também, que era um sonho meu, desde menina ter uma filha, a Cecília, Ciça…rsrs, mas que não aconteceu por circunstâncias da vida mesmo.
Este desejo de “ter uma filha” foi realizado em minha vida quando Deus me deu a oportunidade de receber e cuidar várias meninas que vieram para Belo Horizonte estudar no seminário de minha igreja.
Foram muitas “filhas”. Hoje, olho para trás e vejo mulheres fortes, constituindo suas famílias, algumas já casadas e com filhos, outras gravidinhas, outras vivendo tão intensamente para seu ministério. Uma alegria só,  pra mim.
E exatamente este mês este ciclo se encerra na minha vida, pelo menos desta forma. Estamos de mudança. A Guest House vai deixar de existir, mas o meu carinho por cada uma de vocês que passou por aqui, não.
Então, Taty, Cintia, Julyana, Priscila, Dani, Andrea, Isabela, Jessica, Ludi, Fyanma, Daiane, Lais, Nadila, Aline, Ariadne, Janaína, Ketlyn e demais, foi uma honra conhecer vocês, um prazer ter vocês por perto. Desejo sempre o melhor para você e todas as Bênçãos do nosso Pai.

E que venham novos tempos!!!!

La nostra pasta tutti i giorni

massa 1607Hoje estou fazendo uma massa (pasta) que aprendi a receita estudando italiano. Uma delícia que compartilho com vocês.

Pasta alla percorara

Ingredientes:
– a massa (as massas longas são melhores para este tipo de prato, veja aqui!) Confesso que usei um linguini que já tinha em casa…
– uma berinjela pequena
– uma abobrinha pequena
– pimentão vermelho
– cebola
– alho e azeite
– ricola de ovelha (substitui porque não encontrei aqui perto de casa)
– molho de tomate (300 gramas)

Preparando:
– Piquei a berinjela e a abobrinha em cubinhos
– Cortei o pimentão e a cebola bem fininhos (umas duas colheres de sopa de cada) e reservei separados
– Coloquei uma panela no fogo com água para cozinhar a massa
– Em uma panela coloquei um fio de azeite, juntei a berinjela e a abobrinha com um dente de alho amassado e fui mexendo até eles ficarem macios. Coloquei um pouquinho de água quando começaram a grudar no fundo da panela.
– Em outra panela também com um fio de azeite dourei a cebola e juntei o molho de tomate e deixei levantar fervura. Temperei com sal.
– Quando os legumes já estavam macios juntei tudo numa panela só e coloquei o pimentão, deixei mais um minutinho e desliguei o fogo.
– Quando a água para cozimento da massa levantou fervura coloquei sal e em seguida a massa para cozinhar. Retirei no ponto ao dente e já foi direto para o prato.
– No prato, já com a massa amassei a ricota num amassador de batatas e coloquei sobre a massa parecendo neve. Em seguida, queijo parmesão à vontade!!

E viva!!! Comi demais!!!

E essa tal maturidade…

criançaLEITURA BÍBLICA:  Hebreus 5:12 – 6:3

Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino (1 Coríntios 13:11)

Quando temos filhos pequenos ensinamos através do exemplo e da repetição. Quantas e quantas vezes repetimos “vai escovar os dentes” ou “não pode isso, não pode aquilo” ou “põe este agasalho” ou “coloque no prato apenas a comida que vai comer” e tantas outras coisas. Fazemos isso porque nossos filhos são crianças e precisam aprendem o básico, eles ainda não têm experiência e é nossa responsabilidade contribuir para a formação deles.

Mas quando nossos filhos vão avançando, vão adquirindo experiências, nossas falas vão mudando, a cada época da vida deles um ensino diferente. Significa que naquilo que ensinamos eles já adquiriram experiência e por meio dela veio o aprendizado. Não dá mais pra ficar falando na cabeça do filho de 18 anos que ele “precisa escovar os dentes”, não é mesmo?

Da mesma forma que agimos om nossos filhos, o ensino da Palavra de Deus tem etapas. O texto de Hebreus fala que primeiramente se ensina os princípios elementares da nossa fé, que devemos aprender, experimentar e saber. E quem sabe, em seguida ensina. O autor de Hebreus retrata uma situação diferente: mesmo sendo ensinado por muito tempo nos princípios elementares na base da nossa fé, o povo continuava agindo como se não soubesse, como crianças naqueles aspectos.

Vivenciamos isso com muita clareza nos nossos dias e em nossas comunidades. Cada dia vemos mais crianças na fé que, infelizmente, não suportam o alimento genuíno, forte que as Escrituras nos proporcionam. Vivem do que ouvem de homens e não da pureza e clareza da Palavra de Deus. Tão confusos!!!

E lembrando que maturidade significa a conquista do equilíbrio, estabilidade e da sabedoria: que pressupõe a finalização de um processo de vivência e conscientização de aspectos que chegaram ao nível da acomodação interior, ela não tem necessariamente que estar ligada à idade. Está ligada à experiência, à prática.

Não adianta querer mudar o curso das coisas sem que aja transformação das atitudes erradas, mas sem autoconhecimento a maturidade torna-se inatingível. Não existe ingrediente mágico pra isso!

Vou usar uma expressão de minha amada mãe para terminar: “é no balanço da caroça que as abóboras se ajeitam” – neste ajeitar não dá pra sair sem alguns arranhões, certo?

 

Inimigo Silencioso

formiga blog beth 130717LEITURA BÍBLICA: Provérbios 6: 6-9

O caminho do preguiçoso é cheio de espinhos, mas o caminho do justo é uma estrada plana (Pv 15:19)

Quando fazemos uma avaliação das coisas que podem causar problemas em nossa vida, pensamos logo em questões de caráter sérias ou situações externas que possam interferir no curso do nosso dia a dia. Podemos até fazer uma lista daquilo que nos atrapalha a seguir nosso caminho e ir resolvendo cada um dos tópicos, não é mesmo?

Possivelmente a preguiça não estará relacionada entre os primeiros tópicos desta lista ou até nem conste dela, por isso é tão perigosa. O texto de Provérbios nos apresenta uma analogia de comportamento com um animal que parece insignificante mas que nos ensina muito sobre este nosso inimigo – a preguiça. Inimigo silencioso porque começa com a procrastinação, que leva a acomodação e daí à inércia é um pulinho. Da inércia à depressão então, nem preciso falar…

A preguiça é um problema muito sério porque além de fazer mal ao preguiçoso desequilibra tudo à volta dele. Causa incômodo e irritação no ambiente de trabalho. Para aqueles que convivem mais intimamente com o preguiçoso ele se torna um peso pois não dá conta de realizar as tarefas mais básicas, vive à espera de ser servido.

É preciso tomar uma decisão séria de lutar contra este inimigo silencioso que exigirá disciplina. Disciplina é a capacidade de se manter focado nas tarefas necessárias para concretização de uma meta sem se desviar e sem perder a motivação. É uma conquista de todos os dias!

Fica a dica para todos nós: Não deixar para depois o que podemos fazer agora! “Depois” é uma palavra muito perigosa! Vamos aprender com as formigas!

Corrigindo provas…

Startup-PodePois é. As aulas terminaram na semana passada mas para nós professores as atividades ainda continuam com as correções de provas, fechamento de diários e entrega de notas.

No meu caso, especificamente, ainda tenho a alegria de fazer a correção de tradução crítica individual de pequenos trechos de hebraico e grego bíblicos. Maravilha!

Os meus alunos sempre me surpreendem com sua criatividade. E então percebo o quão místicos nós somos enquanto povo. O que está escrito não nos serve, há a necessidade de “entender o que está nas entrelinhas”. Também sempre precisa haver algo de misterioso ou “profético” no texto, mesmo que não exista nem uma coisa ou outra na intensão da escrita.

E aqui vou seguindo, colhendo pérolas a cada semestre.

Fica o convite: vamos aprender Hebraico e Grego? Será um prazer ensinar vocês!!

Foco, força e fé

fraseLeio e escuto demais esta expressão: Foco, força e fé. Hoje parei para pensar um pouco mais nela e compartilho alguns pontos que achei interessantes.

Primeiro é bom saber o que cada uma destas palavra significa e o nosso melhor companheiro para isso é o dicionário. Então vamos a ele:

FOCO: Ponto central ou de convergência:
centro, ponto, cerne, coração, eixo, âmago, essência, núcleo, sede, base.

FORÇA: qualidade do que é forte; robustez, vigor físico.
Na física: agente físico capaz de alterar o estado de repouso ou de movimento uniforme de um corpo material.
Forte:  que tem grande força física e/ou orgânica; cujos músculos são bem desenvolvidos; robusto, vigoroso.

FÉ:  é uma palavra que significa “confiança”, “crença”, “credibilidade”. A fé é total crença em algo ou alguém, ainda que não haja nenhum tipo de evidência que comprove a veracidade da proposição em causa.

Então posso dizer que foco é objetivo, o ponto que quero atingir, o lugar onde quero chegar, ponto de convergência. Posso dizer que força é o esforço capaz de alterar o estado, posição de algo ou de alguma coisa. E por último posso dizer que fé é convicção plena em algo ou alguém mesmo sem a mínima evidência que comprove a minha crença.

É muito interessante e muito simples ao mesmo tempo. A expressão “Foco, força e fé” tem como significado básico “tenha seu objetivo em mente e não se desvie dele; realize tudo o que for preciso para alcançar seu objetivo, use toda sua força (capacidade de mudança) e por último, creia, confie mesmo que todas as circunstâncias sejam contrárias.

Melhor ainda é perceber que tudo vem de Deus. Pense comigo: é Ele quem opera em nós o querer e o realizar, não é mesmo? Ele coloca em nosso coração desejos, sonhos, vontades e Ele mesmo nos capacita a realizar. Só acontece porque Ele quer. E  é Ele  também quem nos dá a fé, de forma que cremos com a fé dele mesmo. Por isso eu disse que é simples, muito simples.

Fica a dica:

trabalhe

 

Rosquinhas bem fofinhas

rosquinhasSimples de preparar, as rosquinhas vão agradar a família toda. Esta é minha dica de feriado para você. A professora aqui também cozinha…kkkk

Ingredientes:
– Se você for usar fermento biológico seca – 2 colheres de sopa. Agora de for usar o fermento fresco – 80 a 100 g
– 7 colheres de sopa de açúcar
– 2 colheres de sopa de margarina
– 300 ml de leite morno
– 3 ovos
– 1 colher de café rasa de sal
– 800 g de Farinha de trigo ou que baste para dar o ponto de enrolar

Modo de fazer:
Misture o fermento o leite e o açúcar. Depois acrescente os 3 ovos e o sal e a margarina e misture bem. Em seguida, vá colocando a farinha aos poucos até o ponto de sovar a massa. Vamos sovar por 10 minutos, deixar descansar por mais 30 minutos.
Agora é enrolar e colocar para assar em formo pré aquecido 200 graus, antes pincele com gema de ovo.

Um lanche delicioso para você!!!

O Homeschooling vai chegar ao Brasil?

Family doing homeworkEste assunto tem me interessado muito nos últimos anos. Crianças estudando em casa com seus pais ou tutores. Dentre livros, artigos e posts, decidi publicar para vocês este do Solano Portela. Leiam e vamos comentar o assunto, ok?
“O Homeschooling vai chegar ao Brasil?

Solano Portela[1]

A década de 1990 e a primeira década deste novo século foram caracterizadas por mega tendências (megatrends[2]), ou seja, grandes modificações no curso dos relacionamentos sociais e empresariais. Entretanto, na década 2010-2020 vemos aflorar micro tendências que podem igualmente causar grandes impactos futuros em diversas áreas da sociedade. Mark J. Penn e Kinney Zolesne, em seu livro Microtrends, chamam a nossa atenção exatamente para esse viés das “pequenas forças por trás das grandes mudanças de amanhã”.[3]

O livro traz um capítulo inteiro dedicado ao segmento da educação, onde apresenta comentários e dados sobre uma minúscula tendência, nos Estados Unidos, que vem crescendo exponencialmente e já afeta significativamente o modus operandi de instituições de ensino tradicionais e a visão do campo educacional como um todo. Trata-se do Homeschooling, ou a educação escolar ministrada nos lares, onde as crianças recebem no aconchego de suas casas o preparo acadêmico, fora da estrutura formal supervisionada pelo estado. A primeira vista pode-se pensar que essa tendência teria apenas repercussão na educação básica (do maternal ao 3º ano do Ensino Médio), no entanto, os reflexos no Ensino Superior já não podem mais ser ignorados.

Como avaliar essa microtendência e seus impactos no Brasil? Não chegaremos a uma avaliação precisa se acharmos que o tema representa apenas uma peculiaridade ou idiossincrasia norte-americana. É verdade que lá encontramos bolsões significativos de ferrenha resistência às garras do estado voraz, e à sua avidez em não somente exigir impostos sobre impostos, mas também por pontificar em todas as esferas da atividade humana.[4] No entanto, a prática do homeschooling nos Estados Unidos vai muito além de ser mera característica exclusiva de comunidades contestadoras.

Muitos escolhem essa modalidade simplesmente por constatarem a falência do sistema público de educação; a deterioração da disciplina e segurança para suas crianças, nas escolas; e o preço proibitivo das melhores instituições de ensino particulares ou confessionais. Observem também os seguintes dados,[5] que evidenciam a importância dessa prática que começou timidamente na década de 1970, nos Estados Unidos, e que só passou a ser levada a sério a partir de 1999, quando o Ministério da Educação daquele país começou a levantar dados sobre a crescente onda:
– Em 1999 já haviam 850 mil crianças sendo educadas nos lares. Em quatro anos esse número havia crescido 30%, para 1,1 milhão.
– Isso significa um acréscimo de 1,7% da população nessa idade escolar para 2,2%.
– Existem hoje milhares de sites e eventos destinados a disseminar a prática. O mercado de livros, currículos, vídeos e outros materiais relacionados com o homeschooling, movimenta quase um bilhão de dólares por ano.
– Apesar das crianças educadas no lar representarem apenas pouco mais de 2% da população escolar compatível, elas se destacam surpreendentemente em competições educativas como, por exemplo, nos populares concursos de soletração, onde constituem 12% dos finalistas. Nos testes de admissão ao ensino superior (SAT), os alunos advindos de educação recebida no lar, tiram notas 15% superior às dos demais.
– As universidades têm se adaptado à tendência. Em 2000 apenas 52% possuíam critérios formais de avaliação dos candidatos educados no lar. Atualmente, 83% já adotam critérios na expectativa de recebimento destes, e eles são bem-vindos pela expectativa de um excelente desempenho acadêmico.
Da mesma forma, não podemos apenas adotar uma visão simplista e dizer que no Brasil o homeschooling é proibido e, portanto, não é assunto a ser discutido, pois não há perspectiva de impacto em nosso sistema educacional. Nos Estados Unidos, mesmo tendo começado na década de 1970, até 1981 ela era ilegal na maioria dos estados norte-americanos; agora ela é legalizada em todos eles. Semelhantemente, no Japão o homeschooling é proibido, mas estima-se que 2 a 3 mil crianças estão sendo educadas dessa forma. Até na China, onde subsiste a proibição formal, a existência da “Shanghai Home-School Association”, deixa vislumbrar que a pratica existe, em extensão considerável. Atualmente, além de nos Estados Unidos, o homeschooling é legalizado na Austrália, Nova Zelândia, Inglaterra e no Canadá.

Presentemente o Brasil já contabiliza alguns poucos casos que têm resultado em processos e contestações judiciais. O Dr. Carlos Roberto Jamil Cury, professor da PUC-MG, em seu ensaio, “Educação Escolar e Educação no Lar: espaços de uma polêmica”[6] apresenta alguns casos de homeschooling no Brasil, que receberam sentenças adversas do nosso judiciário.[7] Dr. Cury concorda com as sentenças e cita parecer do Conselho Nacional de Educação, que expressa a visão prevalecente nos círculos governamentais, de que a única forma de ensino é nas escolas:

“Os filhos não são dos pais, como pensam os Autores [do Mandado de Segurança]. São pessoas com direitos e deveres, cujas personalidades se devem forjar desde a adolescência em meio a iguais, no convívio formador da cidadania. Aos pais cabem, sim, as obrigações de manter e educar os filhos consoante a Constituição e as Leis do país, asseguradoras do direito do menor à escola…”

Mesmo os cristãos que não são a favor do homeschooling, não podem aceitar essa visão estatal de que “os filhos não são dos pais”!

No lado do homeschooling, alguns casos têm recebido atenção da mídia, como por exemplo:[8]
– O caso da família Bueno (9 filhos), de Jardim, MS. Durante 13 anos praticaram a educação escolar no lar. Depois de denunciada à Promotoria Pública por familiares, e de julgamentos adversos, mudou-se para o Paraguai.
– O caso do casal Nunes (3 filhos), de Timóteo, MG. O casal tirou as crianças da escola em 2006. Foram denunciados ao Conselho Tutelar e ao Ministério Público. Para provar que os filhos não estavam “abandonados intelectualmente”, como era alegado, eles foram inscritos no vestibular da Faculdade de Direito de Ipatinga, MG. Passaram em posição excelente, no 7º e 13º lugar, mesmo sem terem completado o ensino médio.
– O Caso de Júlio Severo, figura controvertida por suas posições políticas e religiosas, que defende homeschooling desde 1991 e foi forçado a mudar-se do Brasil, supostamente por contestações da justiça às suas convicções.[9]
– O caso da conhecida família Schürmann (3 filhos), que, em 1984 empreendeu uma viagem de 10 anos, navegando pelos mares do globo, aplicando o homeschooling em seus filhos, durante todo esse tempo.

Em 1994 o deputado João Teixeira, do PL, apresentou o projeto lei 4657/1994 procurando regulamentar a educação escolar no lar. No entanto ele foi arquivado no ano seguinte. Em 2008, os deputados federais Henrique Afonso, ex- PT, e Miguel Martini, do PHS, apresentaram o projeto de lei 3518/2008, propondo, novamente, a regulamentação do homeschooling no Brasil, do 1º ao 9º ano.

É possível, que mesmo com a visão monolítica de nossa legislação sobre a educação escolar no lar, talvez estejamos testemunhando mudanças e até a formação de jurisprudência que pode impactar o status quo da educacional tradicional.

Será que, com a globalização os casos de homeschooling não poderão se multiplicar no Brasil? Existirão outras decisões judiciais, ou novas leis, que venham legitimar e encorajar a prática? Em uma era de ênfase à Educação a Distância, como barrar iniciativas de “estudo independente” que apresente melhores desempenhos e avaliações do que a educação clássica tradicional?[10] Obviamente ninguém tem respostas precisas a essas indagações, mas ignorar essa microtendência educacional não nos parece o melhor caminho. Assim, nossas Instituições de Ensino Superior deveriam monitorar a tendência e iniciar estudos sobre os impactos (sociais, financeiros, estruturais, acadêmicos e organizacionais) resultantes de uma abertura do homeschooling no Brasil. Deveriam até considerar a possibilidade de que esta modalidade venha a adentrar o Ensino Superior. Possivelmente essa é uma rica linha de pesquisa que poderia estar presente em diversos programas de pós graduação, de forma bastante interdisciplinar, com teses e estudos objetivos e sem paixões ideológicas que substanciarão muitas decisões e definições.

É possível que pesquisas objetivas e sem radicalismos estatais, procurando aferir o lamentável estado do ensino básico, principalmente em sua esfera pública, que leva os pais a procurarem alternativas mais adequadas aos seus filhos, possam contribuir para o sistema educacional como um todo, preparando-nos melhor para o futuro.”

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[1] O autor ocupou a Diretoria de Planejamento e Finanças do Mackenzie (Universidade e Colégios Presbiterianos) e é, atualmente, o Diretor Educacional da Instituição, da qual, de 2005 a 2008, foi também Superintendente de Educação Básica. É escritor, professor e conferencista.
[2] Como exemplo citamos as mega tendências apresentadas nos livros de John Naisbitt e Patrícia Aburdene: Megatrends (1982) e Megatrends 2000 (1990), todas elas confirmadas por uma aferição histórica do que motivou as grandes mudanças sociais e empresariais dessas décadas.
[3] Subtítulo do livro Microtrends (NY: Twelve Hatchette Book Group, 2007), 454 pp.
[4] Nossa convicção, sem endossar extremismos norte-americanos, é a de que o estado (independente de sua nacionalidade) realmente tem a tendência de extrapolar a sua esfera específica de atuação, que é: garantir a segurança pública e assegurar, a todos os cidadãos, oportunidades iguais de igualmente desenvolverem as suas desigualdades.
[5] Trazidos por Mark Penn, em seu livro.
[6] Texto completo disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-73302006000300003&script=sci_arttext , acessado em 24.05.2010.
[7] Por exemplo, o Mandado de segurança n. 7.407 – DF (2001/0022843-7), impetrado por família interessada cuja segurança foi denegada pelo judiciário, confirmando parecer anterior do Conselho Nacional de Educação.
[8] Um bom relato desses está disponível em: http://ozielfalves.blogspot.com/2008/10/escola-em-casa-crianas-longe-dos-bancos.html , acessado em 24.05.2010
[9] Para mais informações sobre suas posições, vide este blog, mantido pelo Severo: http://escolaemcasa.blogspot.com/, acessado em 24.05.2010
[10] Em 02.05.2015 foi postado artigo com o título: “O Homeschooling é liberado no Brasil”, em http://www.portaltl.com/?p=563 (acessado em 05.02.2016), mas o título é um pouco exagerado e não existiam novidade em trâmites jurídicos relacionados com a prática, até aquela data.

O post acima é de 5 de fevereiro de 2016 mas muito pertinente e atual.