O Feminismo Cristão – Como tudo começou por Augustus Nicodemus

Estudar a história do surgimento do movimento feminista é de grande ajuda para nós. Geralmente uma perspectiva global e ampla do assunto em pauta nos ajuda a entender melhor determinados aspectos do mesmo. No caso do movimento feminista, a sua história nos revelará que a ordenação de mulheres ao ministério, em alguns setores do movimento, é apenas um item de uma agenda muito mais ampla defendido por um setor bastante ativista do feminismo nas igrejas cristãs.
Origens do Movimento Feminista Fora da Igreja

Examinemos primeiramente o movimento feminista fora da igreja, focalizando suas principais protagonistas.

Século 18: A Vindicação dos Direitos da Mulher

A “Primeira Onda” do feminismo teve início na primeira metade dos anos de 1700 quando uma inglesa, Mary Wollstonecraft (foto), escreveu A Vindication of the Rights of Woman (A Vindicação dos Direitos da Mulher). Um ano depois desta publicação, Olimpe de Gouges publicou um panfleto em Paris intitulado Le Droits de La Femme (Os Direitos da Mulher) e uma americana, Judith Sargent Murray, publicou On the Equality of the Sexes (Sobre a Igualdade dos Sexos). Outras pensadoras feministas surgiram em pouco tempo tais como Frances Wright, Sarah Grimke, Sojourner Truth, Elizabeth Cady Stanton, Susan B. Anthony, Harriet Taylor e também John Stuart Mill. Seus pensamentos e obras foram defendidos com fervor e pouco a pouco foram deitando profunda influência na sociedade moderna contemporânea do mundo ocidental.

Século 19: A Declaração dos Sentimentos

Em 1848 cerca de 100 mulheres se reuniram em uma convenção em Seneca Falls, Nova York, para ratificar a Declaração dos Sentimentos escrita para defender os direitos naturais básicos da mulher. As autoras da Declaração dos Sentimentos reclamavam que as mulheres estavam impedidas de galgar posições na sociedade quanto a empregos melhores, além de não receber pagamento eqüitativo pelo trabalho que realizavam. Notaram que as mulheres estavam excluídas de profissões tais como teologia, medicina e advocacia e que todas as universidades estavam fechadas para elas. Denunciavam também um duplo padrão de moralidade que condenava as mulheres a penas públicas, enquanto excluía os homens dos mesmos castigos em relação a crimes de natureza sexual.

A Declaração dos Sentimentos foi um marco profundamente significativo no movimento feminista. Suas reivindicações eram, em sua grande maioria, justas e consistentes. Por isto, o movimento foi ganhando muitas e muitos adeptos, apesar, e por causa das grandes barreiras que foram impostas às mulheres que se expunham na defesa de suas idéias e ideais. As leis do divórcio foram liberalizadas e drásticas mudanças ocorreram com o status legal da mulher dentro do contexto do casamento. Por volta dos anos 30, como resultado de sua educação qualificada e profissional, as mulheres começaram a entrar no mercado de trabalho como força competitiva. Muitas das barreiras legais, políticas, econômicas e educacionais que restringiam a mulher foram removidas e esta começa a pisar o mundo do homem com paixão e zelo.

Século 20: Simone deBeauvoir e Betty Friedan

A primeira fase da construção do feminismo moderno começou com a obra da filósofa francesa Simone deBeauvoir (foto), Le Deuxième Sexe (O Segundo Sexo), em 1949. As mulheres, segundo deBeauvoir, foram definidas e diferenciadas tomando como referencial o homem e não com referência a elas mesmas. Ela acreditava que o sexo masculino compreendia a medida primeira pela qual o mundo inteiro era medido, incluindo as mulheres, sendo elas definidas e julgadas por este padrão. O mundo pertencia aos homens. As mulheres eram o “outro” não essencial. Simone deBeauvoir observa esta iniqüidade do status sexual em todas as áreas da sociedade incluindo a econômica, industrial, política, educacional e até mesmo em relação à linguagem. As mulheres foram forçadas pelos homens a se conformar e se moldar àquilo que os homens criaram para seu próprio benefício e prazer. Às mulheres de seus dias não foi permitido ou não foram encorajadas a fazer ou se tornar qualquer outra coisa além do que o feminino eterno ditava; elas foram cerceadas num papel de “Küche, Kirche, und Kinder” (cozinha, igreja e filhos, em alemão). De acordo com deBeauvoir a mulher estava destinada a existir somente para a conveniência e prazer dos homens.

No início dos anos 60 uma jornalista americana, Betty Friedan, transformou os conceitos filosóficos de Simone deBeauvoir em alguma coisa mais assimilável para a mulher moderna, ao publicar A Mística Feminina, um livro onde examinava o papel da mulher norte americana. De acordo com Friedan, as mulheres dos seus dias foram ensinadas a buscar satisfação apenas como esposas e mães. Ela afirmou que esta mística do ideal feminino tornou as mulheres infantis e frívolas, quase como crianças, levianas e femininas; passivas; garbosas no mundo da cama e da cozinha, do sexo, dos bebês e da casa. Assim como deBeauvoir, ela afirma que a única maneira para a mulher encontrar-se a si mesma e conhecer-se a si mesma como uma pessoa seria através da obra criativa executada por si mesma. Friedan batizou o dilema das mulheres de “um problema sem nome”. Friedan concordou com deBeauvoir que a libertação das mulheres haveria de requerer mudanças estruturais profundas na sociedade. Para isto, as mulheres precisariam ter controle de suas próprias vidas, definirem-se a si mesmas e ditar o seu próprio destino.

O Problema sem Nome: Patriarcado

No final dos anos 60 a autora feminista Kate Millett (foto) usou o termo “patriarcado” para descrever o “problema sem nome” que afligia as mulheres. O termo tem sua origem em duas palavras gregas: pater, significando “pai” e arche, significando “governo”. A palavra patriarcado era entendida como o “governo do pai”, e era usada para descrever o domínio social do macho e a inferioridade e a subserviência da fêmea. As feministas viram o patriarcado como a causa última do descontentamento das mulheres. A palavra patriarcado define o problema que deBeauvoir e Friedan não puderam nomear mas conseguiram identificar. De acordo com as feministas, o patriarcado foi o poder dos homens que oprimiu as mulheres e que era responsável pela infelicidade delas. As feministas concluíram que a destruição do patriarcado traria de volta a plenitude das mulheres. A libertação das mulheres do patriarcado haveria de permitir que elas se tornassem íntegras.

Surgimento do Movimento Feminista Dentro da Igreja

Podemos considerar o livro de Katherine Bliss, The Service and Status of Women in the Church (O Trabalho e o Status da Mulher na Igreja, 1952) como o marco inicial do moderno movimento feminista dentro da cristandade. O livro era baseado numa pesquisa sobre as atividades e ministérios nos quais as mulheres cristãs estavam comumente envolvidas. Bliss observou que, embora as mulheres estivessem extremamente envolvidas na vida da Igreja, a participação delas estava limitada a papéis auxiliares tais como Escola Dominical e Missões. As mulheres não participavam em lideranças tradicionalmente aceitas, tais como as atividades de ensino, pregação, administração e evangelismo, ainda que muitas delas pareciam estar preparadas e terem dons para este exercício. Bliss chamou a atenção da Igreja para a reavaliação dos papéis homem/mulher na Igreja, particularmente da ordenação de mulheres.

Ativistas Cristãos compram a Briga

A obra de Bliss serviu de munição para ativistas cristãos na luta pelos direitos civis e políticos em 1961. Eles, juntamente com as feministas na sociedade secular, começaram a vocalizar o seu descontentamento com o tratamento diferenciado que as mulheres recebiam por causa do seu sexo, inclusive dentro das igrejas cristãs. Neste mesmo ano, vários periódicos evangélicos publicaram artigos sobre a “síndrome das mulheres limitadas aos papéis da casa e esposa”, onde se argumentava que as mulheres estavam restritas a papéis inferiores na Igreja. Os homens podiam se tornar ministros ordenados, mas às mulheres se lhes impunham barreiras nas atividades ministeriais como ensino, aconselhamento e pastoreamento. As mulheres, afirmavam os ativistas, desejam participar da vida religiosa num nível mais significativo do que costura ou a direção de bazares ou arrumar a mesa da Santa Ceia ou serviços gerais tais como o levantamento de recursos para os necessitados, os quais freqüentemente são designados a elas. Tanto quanto com trabalho físico, elas desejam contribuir com idéias para a Igreja.

O Concílio Mundial de Igrejas

A atenção sobre os papéis do homem e da mulher dentro da Igreja se tornou mais intenso na medida em que o movimento secular das mulheres foi ganhando força. Ainda em 1961 o Concílio Mundial de Igrejas distribuiu um panfleto intitulado Quanto à Ordenação de Mulheres, chamando as igrejas afiliadas para um “re-exame de suas tradições e leis canônicas”. Várias denominações começaram a aceitar que o cristianismo havia incorporado em seus valores uma atitude patriarcal dominante da cultura de suas origens. Muitos católicos, metodistas, batistas, episcopais, presbiterianos, congregacionais e luteranos concordaram: a mulher na Igreja precisa libertação. Com esta conclusão em mente, de que a mulher precisava de libertação dentro da Igreja, estabeleceu-se um curso de ação que tinha como alvo abrir as avenidas para o ministério ordenado das mulheres tanto quanto para os homens.

Nos anos 60 as feministas cristãs se colocaram num curso paralelo àquele estabelecido pelas feministas na sociedade secular. Elas, junto com suas contra partes, buscaram anular a diferenciação de papéis de homem/mulher. O tema dominante foi a necessidade da mulher definir-se a si mesma. As feministas criam que às mulheres se deveria permitir fazer tudo o que o homem pode fazer, da mesma maneira e com o mesmo status reconhecido que é oferecido ao homem. Isto, segundo elas criam, constituía a verdadeira igualdade.

Os Primeiros Argumentos em Prol da Ordenação de Mulheres

As feministas cristãs buscaram a inclusão das mulheres na liderança da Igreja sem uma clara análise da estrutura e funcionamento da mesma segundo os padrões bíblicos. Meramente julgaram-na como sexista e começaram a incrementar o curso de ação em resposta a este julgamento. As feministas cristãs, de mãos dadas com suas contra partes seculares, começaram a demandar “direitos iguais”. Na reivindicação destes direitos, àquela altura do movimento feminista cristão, ainda partiam do pressuposto que a Bíblia era a Palavra de Deus. Vejamos seus argumentos.

Os Pais da Igreja Foram Influenciados pelo Patriarcado

Segundo as feministas cristãs, Clemente de Alexandria, Origines, Ambrósio, e Crisóstomo, Tomás de Aquino, Lutero, Tertuliano, Calvino e outros importantes teólogos e líderes da Igreja Cristã, influenciados pelo patriarcado, reafirmaram a inferioridade da mulher através da história da Igreja e, assim, proibiram a ordenação de mulheres e cometeram erros quanto aos papéis conjugais. As mulheres foram excluídas das posições de autoridade porque os pais da Igreja as viam, em sua própria natureza, como inferiores e menos capazes intelectualmente do que os homens.

A Bíblia ensina a Igualdade dos Sexos

Em segundo lugar, as feministas cristãs passaram a afirmar que a Bíblia dava suporte à plena igualdade das mulheres e que os homens haviam negligenciado estes conceitos bíblicos. As primeiras feministas cristãs afirmam que o registro da criação da mulher no Gênesis tem sido quase que universalmente interpretado de uma maneira equivocada para se ensinar que “Deus impôs a inferioridade e a sujeição” da mulher. Os teólogos (homens) foram acusados pelas primeiras feministas de ignorarem as passagens bíblicas que dão suporte à igualdade feminina, torcendo-as para o seu próprio interesse. A doutrina da liderança da Igreja que excluía as mulheres do ministério foi, portanto, apresentada como um subproduto de um estudo amputado das Escrituras.

Não há Diferença entre Homem e Mulher

A tese maior proposta pelas feministas cristãs no início dos anos 60 era idêntica às teses do feminismo secular: não há diferença entre homem e mulher. As feministas argumentaram que concernente às emoções, psique e intelecto, não há demonstração válida de diferenças entre mulheres e homens. Qualquer aparente diferença resulta única e exclusivamente de condicionamentos culturais e jamais de fatores biológicos. Portanto, tendo em vista a igualdade dos sexos, as feministas cristãs reclamam que a mulher deve ser posta em posições de plena liderança dentro de casa e na Igreja em igualdade com os homens.

O primeiro passo do movimento feminista dentro da Igreja foi a ordenação das mulheres para os ofícios eclesiásticos e este foi somente o primeiro passo. A ordenação das mulheres requer o desenvolvimento de uma nova teologia, de uma nova visão sobre Deus, sobre a Bíblia, o culto e o mundo. A teologia deve se redefinir, alinhando-se com o ponto de vista feminino. Foi o próximo passo dado.

Desenvolvimentos Posteriores da Teologia Feminista

Uma teologia inteiramente nova deveria ser buscada, portanto, baseada na experiência e na interpretação da mulher. Um novo desenvolvimento teológico era necessário para dar suporte à ordenação feminina. Esta nova teologia se moveu em várias direções. Veremos que ordenação feminina é apenas um item de uma agenda muito maior e mais radical.

Reinterpretação da Sexualidade Feminina

Rejeitando a definição de feminilidade e dos papéis femininos que lhes foram impostos pelos homens e pela mentalidade patriarcal dominante, uma parte significativa das ativistas radicais demandaram uma nova definição destes itens que partisse de outro referencial. A conclusão a que chegaram foi que a própria mulher é o melhor referencial para sua autodefinição. E na caminhada desta nova descoberta, ela deve se descobrir em relação com outras mulheres e não com o homem. É preciso registrar que não foram todas as feministas que concordaram com este novo passo.

Na década de 70, movimentos radicais em prol do lesbianismo passaram a identificar sua missão e propósito com o movimento feminista em geral. Foi aqui que o lesbianismo entrou no movimento feminista cristão mais radical como elemento chave na reinterpretação da mulher, sua feminilidade, espiritualidade e papéis. A maior contribuição para a entrada do lesbianismo no movimento feminista foi dada pela líder feminista Kate Millet, que publicamente admitiu ser lésbica, após escrever o livro Sexual Politics, best-seller publicado em 1970. O fato ganhou divulgação mundial mediante reportagem da revista Time naquele mesmo ano. Surgiram dentro das igrejas grupos de lésbicas “cristãs” pressionando para a ordenação de mulheres, de lésbicas, a celebração do casamento gay e aceitação de homossexuais e lésbicas ativos como membros comungantes.

Reinterpretação Feminista da Bíblia

A teologia feminista veio a ser profundamente afetada pela hermenêutica pós-moderna, a qual ensina que a escrita e a leitura de qualquer texto são irremediavelmente determinadas pelas perspectivas sociais e experiências de vida dos seus autores e leitores. A esta altura, já se havia abandonado o conceito da inspiração e infalibilidade da Bíblia.

Empregando-se este princípio na leitura da Bíblia, as feministas cristãs concluíram que a mesma é um livro machista e reflete o patriarcado dominante na cultura israelita e grega daquela época. A Bíblia é o livro de experiências religiosas das mulheres e dos homens, judeus e cristãos, mas seu texto foi formado pelos homens, adultos e instruídos. Poucos textos foram escritos por mulheres. Como resultado, os autores freqüentemente enfatizaram somente o papel dos homens. Eles contaram a história de todo o povo a partir de sua expectativa masculina. Desenvolveram a visão patriarcal da religião a ponto de transformar Deus — um puro espírito sem gênero — em um ser masculino! E que este Deus sempre escolheu homens como profetas, sacerdotes e reis porque os homens são melhores ou mais fortes moralmente do que as mulheres!

As feministas radicais propuseram, assim, uma reinterpretação radical da Bíblia partindo da ótica delas. Propuseram também que as mulheres aprendessem a examinar as leituras feitas na ótica patriarcal e a impugnar qualquer interpretação distorcida pelo machismo. De acordo com elas, a interpretação tradicional da Bíblia sempre foi masculina pois o masculino era tido como universal. Hoje, essa leitura ideológica incomodava muitas mulheres e homens nas igrejas.

Elas passaram ainda a defender a publicação de versões bíblicas onde o elemento masculino fosse tirado da linguagem. Estas versões, chamadas de “linguagem inclusiva” não deveriam mais se referir  a Deus como Pai e deveriam chamar Jesus de “a criança de Deus” em vez de Filho de Deus. Já existem dezenas de versões bíblicas assim no mercado mundial. Algumas feministas ainda mais radicais declararam que a Bíblia não é confiável e que as histórias das mulheres de hoje precisam ser adicionadas ao cânon da Bíblia.

Reinterpretação do Cristianismo

Como resultado desta nova leitura da Bíblia, orientada contra todo elemento masculino e contra o patriarcalismo, as feministas propuseram uma reforma radical no Cristianismo tradicional. A ordenação de mulheres é apenas um pequeno aspecto deste projeto. Na concepção delas, a verdadeira religião deve conter elementos que reflitam o poder e a cooperação das mulheres, cuja principal característica é gerar a vida. Assim, mui naturalmente, as feministas adotaram e “cristianizaram” os antigos cultos pagãos da fertilidade, que celebram os ciclos da natureza, as estações do ano, a fertilidade da terra, as colheitas e a geração da vida. Os cultos seguem temas litúrgicos relacionados com as estações do ano. Este novo Cristianismo feminino entende que a mulher é mais apta que o homem para estabelecer e conduzir a religião, pois enquanto o homem, guerreiro, mata e tira a vida, a mulher gera a vida. Aquela que conduz a vida dentro de si é mais adequada para definir a religião e conduzir seus cultos.

Reinterpretação de Deus

O passo mais ousado dado pelo movimento feminista cristão radical foi a “reinvenção de Deus”. Mais de 800 feministas, gays e lésbicas do mundo inteiro reuniram-se nos Estados Unidos em 1998 num Congresso chamado Reimaginando Deus. Os participantes chegaram a conclusões tremendas: o verdadeiro deus de Israel era uma deusa chamada Sofia, que os autores masculinos transformaram no deus masculino Javé, homem de guerra. Jesus Cristo não era Deus, mas era a encarnação desta deusa Sofia, que é a personificação da sabedoria feminina. Esta deusa pode ser encontrada dentro de qualquer mulher e é identificada com o ego feminino (na foto, capa de livro publicado sobre o assunto). No Congresso celebraram uma “Ceia” onde o pão e o vinho foram substituídos por leite e mel, e conclamaram as igrejas tradicionais a pedir perdão por terem se referido a Deus sempre no masculino. Amaldiçoaram os que são contra o aborto e abençoaram os que defendem os gays e as lésbicas.

Conclusão

A leitura das origens e desenvolvimentos do movimento feminista, tanto o secular quanto o cristão, deixa claro que a ordenação de mulheres ao ministério é apenas um item da agenda muito mais ampla dos feministas radicais dentro da igreja cristã.

É claro que nem todos os que defendem a ordenação de mulheres concordam com tudo que se contém na agenda do movimento feminista cristão. É preciso deixar isto muito claro. Conheço pessoalmente diversos irmãos preciosos que são a favor da ordenação de mulheres ao pastorado mas que repudiam as demais teses do movimento feminista radical. O que estou descrevendo aqui principalmente é a postura dos radicais dentro do feminismo evangélico.

Entretanto, não se pode deixar de notar a semelhança notável entre muitos dos argumentos usados para defender a ordenação feminina e aqueles empregados na defesa do homossexualismo nas igrejas, das versões feministas da Bíblia e mesmo da reinvenção de Deus e do Cristianismo.

[Este artigo é reprodução da primeira parte de um Caderno sobre Ordenação Feminina que publiquei algum tempo atrás, que por sua vez utilizou a pesquisa histórica da tese de mestrado do Rev. Ludgero Morais sobre o tema.]

E 2018 está terminando…

201820192018 foi um ano incrível pra mim em todos os sentidos, em todos mesmo. E ser incrível não quer apenas dizer que tudo foi tão bom que era inacreditável estar acontecendo; quer dizer também que muitas coisas não tão boas aconteceram e estas também foram incríveis, inimagináveis, daquelas que a gente só vê em filmes.
Aliás, não é de hoje que quem me conhece sempre diz que a minha vida daria um bom livro, um filme…, ou melhor dizendo vários livros e vários filmes. Mas vamos deixar assim, vou repassar 2018 com algumas ideias, experiências e aprendizado porque têm coisas que só entre a gente e Deus, não é mesmo?
Não serei cronológica mas temática de uma forma diferente. Vou falar de estradas, janelas, aeroportos, cidades, mares, montanhas, e cada um destes temas trouxe aprendizado e experiências maravilhosas em minha vida.
No próximo post vou falar de janelas, das minhas janelas de 2018. Quem me acompanha no Facebook já deve ter visto fotos de algumas delas.
Até lá!

Conversão…

caminhosTenho percebido pelo caminho muita confusão na comunidade cristã pela falta de entendimento unificado de alguns termos bem simples. Olhamos para o texto bíblico e em vez de mergulhar no conhecimento do contexto da época e extrair princípios para o nosso dia a dia, em muitas ocasiões, tomamos literalmente o texto e o aplicamos nos dias de hoje. Um problema porque ninguém entende nadica de nada.

Já faz algum tempo que tenho seguido a orientação de explicar cada palavra do texto bíblico minuciosamente, ressaltando os princípios e aplicando-os no nosso cotidiano. A conversão, por exemplo, o que significa mesmo? Já ouvi várias definições das mais simples às mais rebuscadas mas com pouca efetividade. Algumas definições são até mesmo mirabolantes. Mas o que é a conversão? Simples. A consciência do pecado me faz convergir, corrigir minha rota de vida, convertendo-a Cristo, adequando-a à uma nova realidade de vida. Percebo que sou pecador (em Adão) e que por meio do sangue derramado por Cristo, de sua morte e ressurreição tenho uma nova vida que não se resume somente aos nossos dias do nascimento à morte. Creio pela fé (que me é dada por Deus) e pela ação do Espírito Santo (que me convence do pecado, do juízo e da justiça) e me faz entender e crer em Jesus como meu Salvador em primeiro lugar e depois como meu Senhor. Isto tudo é um processo e muitas vezes não entendemos muito bem o que está acontecendo mas temos certeza de que algo está acontecendo.

É simples e não preciso de muita teologia para viver este processo e depois falar dele.

Deus é simplesmente maravilhoso!

Sim, sim; não, não.

blog beth 290518

Seja, porém a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disso passar vem do maligno Mateus 5:27

Lendo o Sermão do Monte sempre me deparo com verdades que transformam as nossas vidas. E o “sim, sim; não, não” tem me incomodado particularmente nestes últimos tempos.

Não é somente por causa do significado das palavras, pois a falta de viver assim significa uma vida de mentira e a mentira não tem nada a ver com o nosso Deus. Mas tem me chamado a atenção a questão da falsidade. Sim, falsidade mesmo.

Explico melhor: ninguém é de fato o que aparenta ser, ninguém é de fato sincero, íntegro, inteiro no que diz e naquilo que faz. Nosso dia a dia é cercado de meias verdades e dificilmente uma pessoa expõe aquilo que pensa verdadeiramente, o que sente verdadeiramente e o que precisa verdadeiramente.

Neste último caso a situação é mais complicada ainda. As pessoas à nossa volta estão sozinhas, carentes, necessitadas e não tem coragem de falar de sua solidão, de suas carências e de suas necessidades. Elas têm vergonha e sabe por quê? Porque neste mundo faceboquiano em que vivemos, vivemos de aparência e tudo que cheira a problema nos afasta do outro.

Até mesmo nossas orações estão corrompidas, se transformaram em rezas. Uma repetição infinda da lista de tudo o que queremos ou daquilo que pensamos que queremos. Sinceridade de coração, singeleza no falar, intimidade? Não sei não…

Pensei até em fazer um desafio mas achei meio sem propósito porque somos “cristãos”, né? Pensei em desafiar a mim mesma e vocês a uma semana de “sim, sim; não, não”. Mas a gente é crente, certo? A gente não precisa fazer isso porque o “sim, sim; não, não” faz parte do nosso dia a dia… Não é verdade?

Pense about…

 

Elegância é algo que a gente carrega, não veste!

eleganciaTexto de  Anieli Talon

Ser elegante vai além de ter bom gosto com roupas e saber se vestir. Elegância é algo que a gente carrega e não veste.

Regras de etiqueta da vida e não do armário para uma vida onde elegância é sinônimo de educação e comportamento.

Sabe o que é mesmo elegante? Ter bom senso e respeito.

Não é preciso estar em cima de um salto alto ou dentro de um terno caríssimo para ser elegante. Atitudes emfeiam pessoas que não tem bom comportamento.

A elegância está na simplicidade de um bom dia sincero para o porteiro que passou a noite toda acordado, no falar baixo quando estiver no está perto, no sabre, quando não é mais do que isso. .

No saber agir sem agredir.
Uma pessoa elegante com encantamento na voz, fala com propriedade e tema como palavras. Sabe chamar a atenção sem ser rude, saber observar sem se intrometer, sabe respeitar o espaço alheio.

A elegância está sem tom da voz e sem silêncio que também comunica. Na forma de se posicionar quando necessário, no jeito de ver o mundo.

Uma pessoa elegante não vive de fofocas, não inventa mentiras e não se mete em baixaria. Quem é elegante tem positividade, atrai pessoas do bem, vibra com uma vida, com os sucessos, torce pelo outro, não tem inveja, carrega alegrias e otimismo, e sente com verdade. Não sabe viver de oportunismos, sabe se colocar nas oportunidades e não saco de bolso nem tapete.

Elegância está não “com licença” e “muito obrigado”. Não há reconhecimento do esforço, na empatia e na colaboração. Está na mão que ajuda, está também na gratidão

E quanto mais conhece pessoas, mais perceber que a elegância está vestida de simplicidade e não de rótulos e invólucros sociais. Encontrei mais elegância calçada de chinelos que vestida de etiquetas, e isso não tem problemas com a situação financeira, mas com referência de vida, criação e sabedoria.

Encontrei uma elegância sem ser e não não, e percebi que é mais elegante que é um vestem de amor.

O culto nosso de cada dia – músicas…

músicasGeralmente, nossos cultos iniciam com o que chamamos de “período de louvor” ou simplesmente “louvor”. O tempo de duração varia muito de comunidade para comunidade mas o usual são músicas entoadas por vocalistas e acompanhadas pelo público presente.

Eu gostaria realmente que as lideranças dessem mais atenção às musicas que estão sendo cantadas em nossas comunidades. Às vezes, volto pra casa tremendamente incomodada com as letras cantadas, que em grande parte fogem das verdades bíblicas.

O primeiro ponto que incomoda é o antropocentrismo. As músicas não enaltecem o Deus todo poderoso, Jesus, nosso Senhor e Salvador. Boa parte das letras enaltece o homem, o “eu”. Compostas na primeira pessoa do singular, reivindicam as bênçãos de Deus. Querem restituição, querem tocar no altar, determinam prosperidade dentre outros aspectos.

O segundo ponto que me deixa aflita é a grande distância entre as composições e o texto bíblico, aliás, atualmente é melhor não citar o texto bíblico – é retrógrado – dizem alguns. “É preciso dizer, não dizendo…” falam outros. Ou seja, a letra precisa ter como pano de fundo a cristandade, mas ela não pode ser explícita, o que me lembra bem o estilo gospel norte-americano. Uma confusão!

Em terceiro lugar, algo que me faz tremer e temer… Inverdades sendo inculcadas dia após dia através das músicas. É de dar medo mesmo… Imagine que para alguns irmãos esta será a única oportunidade de contato com as verdades bíblicas – a música – e, em vez da verdade, estes irmãos recebem heresias nas quais passam a crer cabalmente.

Chega! Eu me recuso a cantar este tipo de música! Eu troco a letra ou fico calada, prefiro.

Que as palavras da minha boca sejam agradáveis ao Senhor! Não é mesmo?

Vamos ensinar corretamente! Vamos cantar corretamente as maravilhosas verdades de Deus!

Aleluia!

 

Diário de bordo: Estou arrumando a mala…

arruamndoIsso mesmo! Arrumando “a mala”. Uma mala só. Super básica, somente com o necessário para a viagem. Sairemos do Rio de Janeiro a quase 30 graus para chegar em um Amsterdam gelada beirando 0 graus. Um choque térmico de cara!

Depois de um city tour pela cidade, embarcaremos para o nosso destino – Israel, mais  precisamente Tel Aviv, onde chegaremos de madrugada, com uma temperatura já mais alta, na casa dos 12 graus. Maravilha!!!

ams novembroCaminharemos por Israel durante o dia com temperatura média de 22 graus, o que é muito agradável. Uma calça comprida confortável, uma camiseta e malha só por precaução já resolvem a questão!!!

E, mais para o final do mês, numa manhã, bem cedinho, embarcaremos de volta, fazendo o roteiro da ida ao contrário, só que euzinha permaneço por um dia em Amsterdam e vou no dia seguinte para a Itália – onde a temperatura máxima será de 8 graus e a mínima de 1 grau durante o período de minha permanência lá.

jerusalemPortanto, imaginem como será minha mala – 23 quilos apenas é o que posso levar por causa do voo entre Holanda e Itália, que tem quase as mesmas regras que os nossos voos BH/SP, por exemplo. Bologna (1)

Pois bem, então fiz a seguinte opção: comprei uma roupa términa para colocar por baixo de calças e camisas – um coringa, além disso vou levar um bom casaco de frio, cachecol, gorro e luvas. Uma bota de cano curto e sem salto. Calças confortáveis, blusas e camisas que não amarrotam. Um casado leve. Um tênis para as caminhadas. E pronto! Sem frescura! Sem estresse!

Depois de pronta, vou postar uma foto.

Próximo passo é deixar as coisas em casa em ordem!

Bauzinho de piadas do vovô

bauSou primeira filha, primeira neta e acho que até primeira bisneta. Passei minha infância sendo muito mimada pelos meus avós. Dois lindos, maravilhosos, melhores avós do mundo! Me ensinaram muito, mas uma história me marcou profundamente. Eu acreditava neles de olhos fechados. Tudo o que eles falavam era verdade pra mim. Eles eram meus super super super heróis. Então…

Meu avó era muito bem humorado. Adorava contar piadas, histórias engraçadas. Quando eu estava com ele, sentada em seu colo, só queria saber das histórias do vovô. Eu amava demais estes momentos.

Lembro de um dia muito especial, eles me deixaram sozinha em casa por algum motivo. Eu não tinha mais que cinco anos. Foi algo muito rápido mas na mente de uma criança o tempo fica marcado de forma diferente… pareceu muito tempo. Tempo suficiente para abrir armários, olhar debaixo de todas as camas, vasculhar a despensa, mexer na cristaleira (local que era totalmente proibido pra mim) e nada de achar o que estava procurando. Caí em prantos, desolada, sentada no chão da cozinha. Foi assim que meu avô me encontrou.

Primeira pergunta:
___ Betinha, minha querida, o que foi? O que você está fazendo aí?

No meio do choro, respondo:
___ Eu não achei, vovô, eu não achei. Não achei seu Bauzinho de Piadas!

Explico: sempre que eu perguntava para meu avô de onde ele tirava tantas histórias e piadas, ele dizia que tinha um bauzinho guardado em casa e tirava de lá quando as dele acabavam. Imagine! Um suprimento sem fim de histórias alegres. Eu queria isso pra mim e por isso, eu estava atrás do “Bauzinho” aquele dia.

Meu avó riu muito, me abraçou carinhosamente e disse:
___ Betinha, não tem bauzinho de histórias e piadas não. É mais uma história do vovô. Fica tudo aqui óh ( ele apontou para a cabeça dele). Cabe tudo aqui dentro. aprende uma coisa, minha filha, aqui dentro (da cabeça) cabe o mundo e ninguém pode tirar o que você guardar aqui. Guarde as histórias do vovô na sua cabecinha e você nunca esquecerá o vovô.

Emocionada, eu digo que, não só nunca esqueci meu querido avô Manuel que morreu sorrindo, mas aprendi para o resto da vida que ninguém pode tirar de mim o que aprendo, minhas experiências. É de verdade um grande tesouro!!

Saudade de ser criança! Saudades do vovô!!

E te darei filhas…

filhasQuem me conhece sabe que só tenho um filho, Gabriel, razão da minha vida e objeto de meu amor incondicional. Sabe, também, que era um sonho meu, desde menina ter uma filha, a Cecília, Ciça…rsrs, mas que não aconteceu por circunstâncias da vida mesmo.
Este desejo de “ter uma filha” foi realizado em minha vida quando Deus me deu a oportunidade de receber e cuidar várias meninas que vieram para Belo Horizonte estudar no seminário de minha igreja.
Foram muitas “filhas”. Hoje, olho para trás e vejo mulheres fortes, constituindo suas famílias, algumas já casadas e com filhos, outras gravidinhas, outras vivendo tão intensamente para seu ministério. Uma alegria só,  pra mim.
E exatamente este mês este ciclo se encerra na minha vida, pelo menos desta forma. Estamos de mudança. A Guest House vai deixar de existir, mas o meu carinho por cada uma de vocês que passou por aqui, não.
Então, Taty, Cintia, Julyana, Priscila, Dani, Andrea, Isabela, Jessica, Ludi, Fyanma, Daiane, Lais, Nadila, Aline, Ariadne, Janaína, Ketlyn e demais, foi uma honra conhecer vocês, um prazer ter vocês por perto. Desejo sempre o melhor para você e todas as Bênçãos do nosso Pai.

E que venham novos tempos!!!!

E essa tal maturidade…

criançaLEITURA BÍBLICA:  Hebreus 5:12 – 6:3

Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino (1 Coríntios 13:11)

Quando temos filhos pequenos ensinamos através do exemplo e da repetição. Quantas e quantas vezes repetimos “vai escovar os dentes” ou “não pode isso, não pode aquilo” ou “põe este agasalho” ou “coloque no prato apenas a comida que vai comer” e tantas outras coisas. Fazemos isso porque nossos filhos são crianças e precisam aprendem o básico, eles ainda não têm experiência e é nossa responsabilidade contribuir para a formação deles.

Mas quando nossos filhos vão avançando, vão adquirindo experiências, nossas falas vão mudando, a cada época da vida deles um ensino diferente. Significa que naquilo que ensinamos eles já adquiriram experiência e por meio dela veio o aprendizado. Não dá mais pra ficar falando na cabeça do filho de 18 anos que ele “precisa escovar os dentes”, não é mesmo?

Da mesma forma que agimos om nossos filhos, o ensino da Palavra de Deus tem etapas. O texto de Hebreus fala que primeiramente se ensina os princípios elementares da nossa fé, que devemos aprender, experimentar e saber. E quem sabe, em seguida ensina. O autor de Hebreus retrata uma situação diferente: mesmo sendo ensinado por muito tempo nos princípios elementares na base da nossa fé, o povo continuava agindo como se não soubesse, como crianças naqueles aspectos.

Vivenciamos isso com muita clareza nos nossos dias e em nossas comunidades. Cada dia vemos mais crianças na fé que, infelizmente, não suportam o alimento genuíno, forte que as Escrituras nos proporcionam. Vivem do que ouvem de homens e não da pureza e clareza da Palavra de Deus. Tão confusos!!!

E lembrando que maturidade significa a conquista do equilíbrio, estabilidade e da sabedoria: que pressupõe a finalização de um processo de vivência e conscientização de aspectos que chegaram ao nível da acomodação interior, ela não tem necessariamente que estar ligada à idade. Está ligada à experiência, à prática.

Não adianta querer mudar o curso das coisas sem que aja transformação das atitudes erradas, mas sem autoconhecimento a maturidade torna-se inatingível. Não existe ingrediente mágico pra isso!

Vou usar uma expressão de minha amada mãe para terminar: “é no balanço da caroça que as abóboras se ajeitam” – neste ajeitar não dá pra sair sem alguns arranhões, certo?