Carta à Bispa Evônia por Augustus Nicodemus

[*Nota – é mais uma carta ficticia, gênero que uso como maneira de tornar as minhas idéias mais interessantes para o leitor. Minha esposa não tem (ainda) nenhuma amiga que virou bispa.]
Minha cara Evônia,
Minha esposa me falou do encontro casual que vocês duas tiveram no shopping semana passada. Ela estava muito feliz em rever você e relembrar os tempos do ginásio e da igreja que vocês frequentavam. Aí ela me contou que você foi consagrada pastora e depois bispa desta outra denominação que você tinha começado a frequentar.
Ela também me mostrou os e-mails que vocês trocaram sobre este assunto, em que você tenta justificar o fato de ser uma pastora e bispa, já que minha esposa tinha estranhado isto na conversa que vocês tiveram. Ela me pediu para ler e comentar seus argumentos e contra-argumentos. Não pretendo ofendê-la de maneira nenhuma – nem mesmo conheço você pessoalmente. Mas faço estes comentários para ver se de alguma forma posso ser útil na sua reflexão sobre o ter aceitado o cargo de pastora e de bispa.
Acho, para começar, que você ser bispa vem de uma atitude de sua comunidade para com as Escrituras, que equivale a considerá-la condicionada à visão patriarcal e machista da época. Ou seja, ela é nossa regra, mas não para todas as coisas. Ao rejeitar o ensinamento da Bíblia sobre liderança, adota-se outro parâmetro, que geralmente é o pensamento e o espírito da época.
E é claro, Evônia, que na nossa cultura a mulher – especialmente as inteligentes e dedicadas como você – ocupa todas as posições de liderança disponíveis, desde CEO de empresas a presidência da República – se a Dilma ganhar. Portanto, sem o ensinamento bíblico como âncora, nada mais natural que as igrejas também coloquem em sua liderança presbíteras, pastoras, bispas e apóstolas.
Mas, a pergunta que você tem que fazer, Evônia, é o que a Bíblia ensina sobre mulheres assumirem a liderança da igreja e se este ensino se aplica aos nossos dias. Não escondo a minha opinião. Para mim, a liderança da igreja foi entregue pelo Senhor Jesus e por seus apóstolos a homens cristãos qualificados. E este padrão, claramente encontrado na Bíblia, vale como norma para nossos dias, pois se baseia em princípios teológicos e não culturais. Reflita no seguinte.
1. Embora mulheres tenham sido juízas e profetisas (Jz 4.4; 2Re 22.14) em Israel nunca foram ungidas, consagradas e ordenadas como sacerdotisas, para cuidar do serviço sagrado, das coisas de Deus, conduzir o culto no templo e ensinar o povo de Deus, que eram as funções do sacerdote (Ml 2.7). Encontramos profetisas no Novo Testamento, como as filhas de Felipe (At 21.9; 1Co 11.5), mas não encontramos sacerdotisas, isto é, presbíteras, pastoras, bispas, apóstolas. Apelar à Débora e Hulda, como você fez em seu e-mail, prova somente que Deus pode usar mulheres para falar ao seu povo. Não prova que elas tenham que ser ordenadas.
2. Você disse à minha esposa que Jesus não escolheu mulheres para apóstolas porque ele não queria escandalizar a sociedade machista de sua época. Será, Evônia? O Senhor Jesus rompeu com vários paradigmas culturais de sua época. Ele falou com mulheres (Jo 8.10-11), inclusive com samaritanas (Jo 4.7), quebrou o sábado (Jo 5.18), as leis da dieta religiosa dos judeus (Mt 7.2), relacionou-se com gentios (Mt 4.15). Se ele achasse que era a coisa certa a fazer, certamente teria escolhido mulheres para constar entre os doze apóstolos que nomeou. Mas, não o fez, apesar de ter em sua companhia mulheres que o seguiam e serviam, como Maria Madalena, Marta e Maria sua irmã (Lc 8.1-2).
3. Por falar nisto, lembre também que os apóstolos, por sua vez, quando tiveram a chance de incluir uma mulher no círculo apostólico em lugar de Judas, escolheram um homem, Matias (At 1.26), mesmo que houvesse mulheres proeminentes na assembléia, como a própria Maria, mãe de Jesus (At 1.14-15) – que escolha mais lógica do que ela? E mais tarde, quando resolveram criar um grupo que cuidasse das viúvas da igreja, determinaram que fossem escolhidos sete homens, quando o natural e cultural seria supor que as viúvas seriam mais bem atendidas por outras mulheres (Atos 6.1-7).
4. Tem mais. Nas instruções que deram às igrejas sobre presbíteros e diáconos, os apóstolos determinaram que eles deveriam ser marido de uma só mulher e deveriam governar bem a casa deles – obviamente eles tinham em mente homens cristãos (1Tm 3.2,12; Tt 1.6) e não mulheres, ainda que capazes, piedosas e dedicadas, como você. E mesmo que reconhecessem o importante e crucial papel da mulher cristã no bom andamento das igrejas, não as colocaram na liderança das comunidades, proibindo que elas ensinassem com a autoridade que era própria do homem (1Tm 2.12), que participassem na inquirição dos profetas, o que poderia levar à aparência de que estavam exercendo autoridade sobre o homem (1Co 14.29-35). Eles também estabeleceram que o homem é o cabeça da mulher (1Co 11.3; Ef 5.23), uma analogia que claramente atribui ao homem o papel de liderança.
5. Você retrucou à minha esposa na troca de e-mails que nenhuma destas passagens se aplica hoje, pois são culturais. Mas, será, Evônia, que estas orientações foram resultado da influência da cultura patriarcalista e machista daquela época nos autores bíblicos? Tomemos Paulo, por exemplo. Será que ele era mesmo um machista, que tinha problemas com as mulheres e suspeitava que elas viviam constantemente tramando para assumir a liderança das igrejas que ele fundou, como você argumentou? Será que um machista deste tipo diria que as mulheres têm direito ao seu próprio marido, que elas têm direitos sexuais iguais ao homem, bem como o direito de separar-se quando o marido resolve abandoná-la? (1Co 7.2-4,15) Um machista determinaria que os homens deveriam amar a própria esposa como amavam a si mesmos? (Ef 5.28,33). Um machista se referiria a uma mulher admitindo que ela tinha sido sua protetora, como Paulo o faz com Febe (Rm 16.1-2)?
6. Agora, se Paulo foi realmente influenciado pela cultura de sua época ao proibir as mulheres de assumir a liderança das igrejas, o que me impede de pensar que a mesma coisa aconteceu quando ele ensinou, por exemplo, que o homossexualismo é uma distorção da natureza acarretada pelo abandono de Deus (Rm 1.24-28) e que os sodomitas e efeminados não herdarão o Reino de Deus (1Co 6.9-11)? Você defende também, Evônia, que estas passagens são culturais e que se Paulo vivesse hoje teria outra opinião sobre a homossexualidade? Pergunto isto pois em outras igrejas este argumento está sendo usado.
7. Tem mais, se você ainda tiver um tempinho para me ouvir. As alegações apostólicas não me soam culturais. Paulo argumenta que o homem é o cabeça da mulher a partir de um encadeamento hierárquico que tem início em Deus Pai, descendo pelo Filho, pelo homem e chegando até a mulher (1Co 11.3).[1] Este argumento me parece bem teológico, como aquele que faz uma analogia entre marido e mulher e Cristo e a igreja, “o marido é o cabeça da mulher como Cristo é o cabeça da igreja” (Ef 5.23). Não consigo imaginar uma analogia mais teológica do que esta para estabelecer a liderança masculina. E quando Paulo restringe a participação da mulher no ensino autoritativo –que é próprio do homem – argumenta a partir do relato da criação e da queda (1Tm 2.12-14).[2]
8. Você já deve ter percebido que para legitimar sua posição como bispa você teve que dar um jeito neste padrão de liderança exclusiva masculina que é claramente ensinado na Bíblia e na ausência de evidências de que mulheres assumiram esta liderança. Não tem como aceitar ser bispa e ao mesmo tempo manter que a Bíblia toda é a Palavra de Deus para nossos dias. E foi assim que você adotou esta postura de dizer que a liderança exclusiva masculina é resultado da cosmovisão patriarcal e machista dos autores do Antigo e Novo Testamentos, e que portanto não pode ser mais usada em nossos dias, quando os tempos mudaram, e as mulheres se emanciparam e passaram a assumir a liderança em todas as áreas da vida. Em outras palavras, como você mesmo confirmou em seu e-mail, a Bíblia é para você um livro culturalmente condicionado e só devemos aplicar dele aquelas partes que estão em harmonia e consenso com nossa própria cultura. Eu sei que você não disse isto com estas exatas palavras, mas a impressão que fica é que você considera a Bíblia como retrógrada e ultrapassada e que o modelo de liderança que ela ensina não serve de paradigma para a liderança moderna da Igreja de Cristo.
Quando se chega a este nível, então, para mim, a porta está aberta para a entrada de qualquer coisa que seja aceitável em nossa cultura, mesmo que seja condenada nas Escrituras. Como você poderá, como bispa, responder biblicamente aos jovens de sua igreja que disserem que o casamento está ultrapassado e que sexo antes do casamento é normal e mesmo o relacionamento homossexual? Como você vai orientar biblicamente aquele casal que acha normal terem casos fora do casamento, desde que estejam de acordo entre eles, e que acham que adultério é alguma coisa do passado?
Sabe Evônia, você e a sua comunidade não estão sozinhas nessa distorção. Na realidade esse pensamento é também popularizado por seminários de denominações tradicionais e professores de Bíblia que passaram a questionar a infalibilidade das Escrituras, utilizando o método histórico crítico, ensinando em sala de aula que Paulo e os demais autores do Novo Testamento foram influenciados pela visão patriarcal e machista do mundo da época deles. Só podia dar nisso… na hora que os pastores, presbíteros e as próprias igrejas relativizam o ensino das Escrituras, considerando-o preso ao séc. I e irremediavelmente condicionado à visão de mundo antiga, a igreja perde o referencial, o parâmetro, o norte, o prumo – e como ninguém vive sem estas coisas, elege a cultura como guia.
Termino reiterando meu apreço e respeito por você como mulher cristã e pedindo desculpas se não posso me dirigir a você, em nossa correspondência pessoal, como “bispa” Evônia. Espero que meus motivos tenham ficado claros.
Um abraço,
Augustus
NOTAS
[1] Esse encadeamento hierárquico se refere à economia da Trindade e trata das diferentes funções assumidas pelas Pessoas da Trindade na salvação do homem. Ontologicamente, Pai, Filho e Espírito Santo são iguais em honra, glória, poder, majestade, como afirmam nossas confissões reformadas.
[2] Veja minha interpretação desta passagem e de outras no artigo da Fides Reformata “Ordenação Feminina”.
O Feminismo Cristão – Como tudo começou por Augustus Nicodemus
Examinemos primeiramente o movimento feminista fora da igreja, focalizando suas principais protagonistas.
Século 18: A Vindicação dos Direitos da Mulher
A “Primeira Onda” do feminismo teve início na primeira metade dos anos de 1700 quando uma inglesa, Mary Wollstonecraft (foto), escreveu A Vindication of the Rights of Woman (A Vindicação dos Direitos da Mulher). Um ano depois desta publicação, Olimpe de Gouges publicou um panfleto em Paris intitulado Le Droits de La Femme (Os Direitos da Mulher) e uma americana, Judith Sargent Murray, publicou On the Equality of the Sexes (Sobre a Igualdade dos Sexos). Outras pensadoras feministas surgiram em pouco tempo tais como Frances Wright, Sarah Grimke, Sojourner Truth, Elizabeth Cady Stanton, Susan B. Anthony, Harriet Taylor e também John Stuart Mill. Seus pensamentos e obras foram defendidos com fervor e pouco a pouco foram deitando profunda influência na sociedade moderna contemporânea do mundo ocidental.
Século 19: A Declaração dos Sentimentos
Em 1848 cerca de 100 mulheres se reuniram em uma convenção em Seneca Falls, Nova York, para ratificar a Declaração dos Sentimentos escrita para defender os direitos naturais básicos da mulher. As autoras da Declaração dos Sentimentos reclamavam que as mulheres estavam impedidas de galgar posições na sociedade quanto a empregos melhores, além de não receber pagamento eqüitativo pelo trabalho que realizavam. Notaram que as mulheres estavam excluídas de profissões tais como teologia, medicina e advocacia e que todas as universidades estavam fechadas para elas. Denunciavam também um duplo padrão de moralidade que condenava as mulheres a penas públicas, enquanto excluía os homens dos mesmos castigos em relação a crimes de natureza sexual.
A Declaração dos Sentimentos foi um marco profundamente significativo no movimento feminista. Suas reivindicações eram, em sua grande maioria, justas e consistentes. Por isto, o movimento foi ganhando muitas e muitos adeptos, apesar, e por causa das grandes barreiras que foram impostas às mulheres que se expunham na defesa de suas idéias e ideais. As leis do divórcio foram liberalizadas e drásticas mudanças ocorreram com o status legal da mulher dentro do contexto do casamento. Por volta dos anos 30, como resultado de sua educação qualificada e profissional, as mulheres começaram a entrar no mercado de trabalho como força competitiva. Muitas das barreiras legais, políticas, econômicas e educacionais que restringiam a mulher foram removidas e esta começa a pisar o mundo do homem com paixão e zelo.
Século 20: Simone deBeauvoir e Betty Friedan
A primeira fase da construção do feminismo moderno começou com a obra da filósofa francesa Simone deBeauvoir (foto), Le Deuxième Sexe (O Segundo Sexo), em 1949. As mulheres, segundo deBeauvoir, foram definidas e diferenciadas tomando como referencial o homem e não com referência a elas mesmas. Ela acreditava que o sexo masculino compreendia a medida primeira pela qual o mundo inteiro era medido, incluindo as mulheres, sendo elas definidas e julgadas por este padrão. O mundo pertencia aos homens. As mulheres eram o “outro” não essencial. Simone deBeauvoir observa esta iniqüidade do status sexual em todas as áreas da sociedade incluindo a econômica, industrial, política, educacional e até mesmo em relação à linguagem. As mulheres foram forçadas pelos homens a se conformar e se moldar àquilo que os homens criaram para seu próprio benefício e prazer. Às mulheres de seus dias não foi permitido ou não foram encorajadas a fazer ou se tornar qualquer outra coisa além do que o feminino eterno ditava; elas foram cerceadas num papel de “Küche, Kirche, und Kinder” (cozinha, igreja e filhos, em alemão). De acordo com deBeauvoir a mulher estava destinada a existir somente para a conveniência e prazer dos homens.
No início dos anos 60 uma jornalista americana, Betty Friedan, transformou os conceitos filosóficos de Simone deBeauvoir em alguma coisa mais assimilável para a mulher moderna, ao publicar A Mística Feminina, um livro onde examinava o papel da mulher norte americana. De acordo com Friedan, as mulheres dos seus dias foram ensinadas a buscar satisfação apenas como esposas e mães. Ela afirmou que esta mística do ideal feminino tornou as mulheres infantis e frívolas, quase como crianças, levianas e femininas; passivas; garbosas no mundo da cama e da cozinha, do sexo, dos bebês e da casa. Assim como deBeauvoir, ela afirma que a única maneira para a mulher encontrar-se a si mesma e conhecer-se a si mesma como uma pessoa seria através da obra criativa executada por si mesma. Friedan batizou o dilema das mulheres de “um problema sem nome”. Friedan concordou com deBeauvoir que a libertação das mulheres haveria de requerer mudanças estruturais profundas na sociedade. Para isto, as mulheres precisariam ter controle de suas próprias vidas, definirem-se a si mesmas e ditar o seu próprio destino.
O Problema sem Nome: Patriarcado
No final dos anos 60 a autora feminista Kate Millett (foto) usou o termo “patriarcado” para descrever o “problema sem nome” que afligia as mulheres. O termo tem sua origem em duas palavras gregas: pater, significando “pai” e arche, significando “governo”. A palavra patriarcado era entendida como o “governo do pai”, e era usada para descrever o domínio social do macho e a inferioridade e a subserviência da fêmea. As feministas viram o patriarcado como a causa última do descontentamento das mulheres. A palavra patriarcado define o problema que deBeauvoir e Friedan não puderam nomear mas conseguiram identificar. De acordo com as feministas, o patriarcado foi o poder dos homens que oprimiu as mulheres e que era responsável pela infelicidade delas. As feministas concluíram que a destruição do patriarcado traria de volta a plenitude das mulheres. A libertação das mulheres do patriarcado haveria de permitir que elas se tornassem íntegras.
Surgimento do Movimento Feminista Dentro da Igreja
Podemos considerar o livro de Katherine Bliss, The Service and Status of Women in the Church (O Trabalho e o Status da Mulher na Igreja, 1952) como o marco inicial do moderno movimento feminista dentro da cristandade. O livro era baseado numa pesquisa sobre as atividades e ministérios nos quais as mulheres cristãs estavam comumente envolvidas. Bliss observou que, embora as mulheres estivessem extremamente envolvidas na vida da Igreja, a participação delas estava limitada a papéis auxiliares tais como Escola Dominical e Missões. As mulheres não participavam em lideranças tradicionalmente aceitas, tais como as atividades de ensino, pregação, administração e evangelismo, ainda que muitas delas pareciam estar preparadas e terem dons para este exercício. Bliss chamou a atenção da Igreja para a reavaliação dos papéis homem/mulher na Igreja, particularmente da ordenação de mulheres.
Ativistas Cristãos compram a Briga
A obra de Bliss serviu de munição para ativistas cristãos na luta pelos direitos civis e políticos em 1961. Eles, juntamente com as feministas na sociedade secular, começaram a vocalizar o seu descontentamento com o tratamento diferenciado que as mulheres recebiam por causa do seu sexo, inclusive dentro das igrejas cristãs. Neste mesmo ano, vários periódicos evangélicos publicaram artigos sobre a “síndrome das mulheres limitadas aos papéis da casa e esposa”, onde se argumentava que as mulheres estavam restritas a papéis inferiores na Igreja. Os homens podiam se tornar ministros ordenados, mas às mulheres se lhes impunham barreiras nas atividades ministeriais como ensino, aconselhamento e pastoreamento. As mulheres, afirmavam os ativistas, desejam participar da vida religiosa num nível mais significativo do que costura ou a direção de bazares ou arrumar a mesa da Santa Ceia ou serviços gerais tais como o levantamento de recursos para os necessitados, os quais freqüentemente são designados a elas. Tanto quanto com trabalho físico, elas desejam contribuir com idéias para a Igreja.
O Concílio Mundial de Igrejas
A atenção sobre os papéis do homem e da mulher dentro da Igreja se tornou mais intenso na medida em que o movimento secular das mulheres foi ganhando força. Ainda em 1961 o Concílio Mundial de Igrejas distribuiu um panfleto intitulado Quanto à Ordenação de Mulheres, chamando as igrejas afiliadas para um “re-exame de suas tradições e leis canônicas”. Várias denominações começaram a aceitar que o cristianismo havia incorporado em seus valores uma atitude patriarcal dominante da cultura de suas origens. Muitos católicos, metodistas, batistas, episcopais, presbiterianos, congregacionais e luteranos concordaram: a mulher na Igreja precisa libertação. Com esta conclusão em mente, de que a mulher precisava de libertação dentro da Igreja, estabeleceu-se um curso de ação que tinha como alvo abrir as avenidas para o ministério ordenado das mulheres tanto quanto para os homens.
Nos anos 60 as feministas cristãs se colocaram num curso paralelo àquele estabelecido pelas feministas na sociedade secular. Elas, junto com suas contra partes, buscaram anular a diferenciação de papéis de homem/mulher. O tema dominante foi a necessidade da mulher definir-se a si mesma. As feministas criam que às mulheres se deveria permitir fazer tudo o que o homem pode fazer, da mesma maneira e com o mesmo status reconhecido que é oferecido ao homem. Isto, segundo elas criam, constituía a verdadeira igualdade.
Os Primeiros Argumentos em Prol da Ordenação de Mulheres
As feministas cristãs buscaram a inclusão das mulheres na liderança da Igreja sem uma clara análise da estrutura e funcionamento da mesma segundo os padrões bíblicos. Meramente julgaram-na como sexista e começaram a incrementar o curso de ação em resposta a este julgamento. As feministas cristãs, de mãos dadas com suas contra partes seculares, começaram a demandar “direitos iguais”. Na reivindicação destes direitos, àquela altura do movimento feminista cristão, ainda partiam do pressuposto que a Bíblia era a Palavra de Deus. Vejamos seus argumentos.
Os Pais da Igreja Foram Influenciados pelo Patriarcado
Segundo as feministas cristãs, Clemente de Alexandria, Origines, Ambrósio, e Crisóstomo, Tomás de Aquino, Lutero, Tertuliano, Calvino e outros importantes teólogos e líderes da Igreja Cristã, influenciados pelo patriarcado, reafirmaram a inferioridade da mulher através da história da Igreja e, assim, proibiram a ordenação de mulheres e cometeram erros quanto aos papéis conjugais. As mulheres foram excluídas das posições de autoridade porque os pais da Igreja as viam, em sua própria natureza, como inferiores e menos capazes intelectualmente do que os homens.
A Bíblia ensina a Igualdade dos Sexos
Em segundo lugar, as feministas cristãs passaram a afirmar que a Bíblia dava suporte à plena igualdade das mulheres e que os homens haviam negligenciado estes conceitos bíblicos. As primeiras feministas cristãs afirmam que o registro da criação da mulher no Gênesis tem sido quase que universalmente interpretado de uma maneira equivocada para se ensinar que “Deus impôs a inferioridade e a sujeição” da mulher. Os teólogos (homens) foram acusados pelas primeiras feministas de ignorarem as passagens bíblicas que dão suporte à igualdade feminina, torcendo-as para o seu próprio interesse. A doutrina da liderança da Igreja que excluía as mulheres do ministério foi, portanto, apresentada como um subproduto de um estudo amputado das Escrituras.
Não há Diferença entre Homem e Mulher
A tese maior proposta pelas feministas cristãs no início dos anos 60 era idêntica às teses do feminismo secular: não há diferença entre homem e mulher. As feministas argumentaram que concernente às emoções, psique e intelecto, não há demonstração válida de diferenças entre mulheres e homens. Qualquer aparente diferença resulta única e exclusivamente de condicionamentos culturais e jamais de fatores biológicos. Portanto, tendo em vista a igualdade dos sexos, as feministas cristãs reclamam que a mulher deve ser posta em posições de plena liderança dentro de casa e na Igreja em igualdade com os homens.
O primeiro passo do movimento feminista dentro da Igreja foi a ordenação das mulheres para os ofícios eclesiásticos e este foi somente o primeiro passo. A ordenação das mulheres requer o desenvolvimento de uma nova teologia, de uma nova visão sobre Deus, sobre a Bíblia, o culto e o mundo. A teologia deve se redefinir, alinhando-se com o ponto de vista feminino. Foi o próximo passo dado.
Desenvolvimentos Posteriores da Teologia Feminista
Uma teologia inteiramente nova deveria ser buscada, portanto, baseada na experiência e na interpretação da mulher. Um novo desenvolvimento teológico era necessário para dar suporte à ordenação feminina. Esta nova teologia se moveu em várias direções. Veremos que ordenação feminina é apenas um item de uma agenda muito maior e mais radical.
Reinterpretação da Sexualidade Feminina
Rejeitando a definição de feminilidade e dos papéis femininos que lhes foram impostos pelos homens e pela mentalidade patriarcal dominante, uma parte significativa das ativistas radicais demandaram uma nova definição destes itens que partisse de outro referencial. A conclusão a que chegaram foi que a própria mulher é o melhor referencial para sua autodefinição. E na caminhada desta nova descoberta, ela deve se descobrir em relação com outras mulheres e não com o homem. É preciso registrar que não foram todas as feministas que concordaram com este novo passo.
Na década de 70, movimentos radicais em prol do lesbianismo passaram a identificar sua missão e propósito com o movimento feminista em geral. Foi aqui que o lesbianismo entrou no movimento feminista cristão mais radical como elemento chave na reinterpretação da mulher, sua feminilidade, espiritualidade e papéis. A maior contribuição para a entrada do lesbianismo no movimento feminista foi dada pela líder feminista Kate Millet, que publicamente admitiu ser lésbica, após escrever o livro Sexual Politics, best-seller publicado em 1970. O fato ganhou divulgação mundial mediante reportagem da revista Time naquele mesmo ano. Surgiram dentro das igrejas grupos de lésbicas “cristãs” pressionando para a ordenação de mulheres, de lésbicas, a celebração do casamento gay e aceitação de homossexuais e lésbicas ativos como membros comungantes.
Reinterpretação Feminista da Bíblia
A teologia feminista veio a ser profundamente afetada pela hermenêutica pós-moderna, a qual ensina que a escrita e a leitura de qualquer texto são irremediavelmente determinadas pelas perspectivas sociais e experiências de vida dos seus autores e leitores. A esta altura, já se havia abandonado o conceito da inspiração e infalibilidade da Bíblia.
Empregando-se este princípio na leitura da Bíblia, as feministas cristãs concluíram que a mesma é um livro machista e reflete o patriarcado dominante na cultura israelita e grega daquela época. A Bíblia é o livro de experiências religiosas das mulheres e dos homens, judeus e cristãos, mas seu texto foi formado pelos homens, adultos e instruídos. Poucos textos foram escritos por mulheres. Como resultado, os autores freqüentemente enfatizaram somente o papel dos homens. Eles contaram a história de todo o povo a partir de sua expectativa masculina. Desenvolveram a visão patriarcal da religião a ponto de transformar Deus — um puro espírito sem gênero — em um ser masculino! E que este Deus sempre escolheu homens como profetas, sacerdotes e reis porque os homens são melhores ou mais fortes moralmente do que as mulheres!
As feministas radicais propuseram, assim, uma reinterpretação radical da Bíblia partindo da ótica delas. Propuseram também que as mulheres aprendessem a examinar as leituras feitas na ótica patriarcal e a impugnar qualquer interpretação distorcida pelo machismo. De acordo com elas, a interpretação tradicional da Bíblia sempre foi masculina pois o masculino era tido como universal. Hoje, essa leitura ideológica incomodava muitas mulheres e homens nas igrejas.
Elas passaram ainda a defender a publicação de versões bíblicas onde o elemento masculino fosse tirado da linguagem. Estas versões, chamadas de “linguagem inclusiva” não deveriam mais se referir a Deus como Pai e deveriam chamar Jesus de “a criança de Deus” em vez de Filho de Deus. Já existem dezenas de versões bíblicas assim no mercado mundial. Algumas feministas ainda mais radicais declararam que a Bíblia não é confiável e que as histórias das mulheres de hoje precisam ser adicionadas ao cânon da Bíblia.
Reinterpretação do Cristianismo
Como resultado desta nova leitura da Bíblia, orientada contra todo elemento masculino e contra o patriarcalismo, as feministas propuseram uma reforma radical no Cristianismo tradicional. A ordenação de mulheres é apenas um pequeno aspecto deste projeto. Na concepção delas, a verdadeira religião deve conter elementos que reflitam o poder e a cooperação das mulheres, cuja principal característica é gerar a vida. Assim, mui naturalmente, as feministas adotaram e “cristianizaram” os antigos cultos pagãos da fertilidade, que celebram os ciclos da natureza, as estações do ano, a fertilidade da terra, as colheitas e a geração da vida. Os cultos seguem temas litúrgicos relacionados com as estações do ano. Este novo Cristianismo feminino entende que a mulher é mais apta que o homem para estabelecer e conduzir a religião, pois enquanto o homem, guerreiro, mata e tira a vida, a mulher gera a vida. Aquela que conduz a vida dentro de si é mais adequada para definir a religião e conduzir seus cultos.
Reinterpretação de Deus
O passo mais ousado dado pelo movimento feminista cristão radical foi a “reinvenção de Deus”. Mais de 800 feministas, gays e lésbicas do mundo inteiro reuniram-se nos Estados Unidos em 1998 num Congresso chamado Reimaginando Deus. Os participantes chegaram a conclusões tremendas: o verdadeiro deus de Israel era uma deusa chamada Sofia, que os autores masculinos transformaram no deus masculino Javé, homem de guerra. Jesus Cristo não era Deus, mas era a encarnação desta deusa Sofia, que é a personificação da sabedoria feminina. Esta deusa pode ser encontrada dentro de qualquer mulher e é identificada com o ego feminino (na foto, capa de livro publicado sobre o assunto). No Congresso celebraram uma “Ceia” onde o pão e o vinho foram substituídos por leite e mel, e conclamaram as igrejas tradicionais a pedir perdão por terem se referido a Deus sempre no masculino. Amaldiçoaram os que são contra o aborto e abençoaram os que defendem os gays e as lésbicas.
Conclusão
A leitura das origens e desenvolvimentos do movimento feminista, tanto o secular quanto o cristão, deixa claro que a ordenação de mulheres ao ministério é apenas um item da agenda muito mais ampla dos feministas radicais dentro da igreja cristã.
É claro que nem todos os que defendem a ordenação de mulheres concordam com tudo que se contém na agenda do movimento feminista cristão. É preciso deixar isto muito claro. Conheço pessoalmente diversos irmãos preciosos que são a favor da ordenação de mulheres ao pastorado mas que repudiam as demais teses do movimento feminista radical. O que estou descrevendo aqui principalmente é a postura dos radicais dentro do feminismo evangélico.
Entretanto, não se pode deixar de notar a semelhança notável entre muitos dos argumentos usados para defender a ordenação feminina e aqueles empregados na defesa do homossexualismo nas igrejas, das versões feministas da Bíblia e mesmo da reinvenção de Deus e do Cristianismo.
[Este artigo é reprodução da primeira parte de um Caderno sobre Ordenação Feminina que publiquei algum tempo atrás, que por sua vez utilizou a pesquisa histórica da tese de mestrado do Rev. Ludgero Morais sobre o tema.]
E 2019 começou!
“O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor” Pv 16:1
Eu tenho muitas ideias, muitos sonhos e muitos planos e creio que, como entreguei a minha vida a Cristo faz tempo e aprendo dEle todos os dias, as minhas ideias, meus sonhos e planos precisam estar centrados nEle, em sua Palavra e sendo assim, eles não serão frustrados.
Mas, diferentemente, se as minhas ideias, sonhos e planos estiverem centrados apenas na minha vontade, nos meus desejos, provavelmente estarão fadados ao fracasso porque estarei longe da vontade dEle.
Eu já vivi as duas coisas e aprendi, melhor dizendo, estou aprendendo a sempre perguntar : Senhor, o que queres eu eu faça? Para onde devo ir? E a resposta sempre vem. Muitas vezes não é a resposta que eu realmente gostaria de ter, mas é a coisa certa a ser feita e a coisa certa a ser feita nem sempre é a mais fácil, não é mesmo?
No mundo em que vivemos tudo é controlado pelo tempo cronológico. Nossa ideias, nossos sonhos e nossos planos tem datas marcadas ou pelo menos uma previsão. Sempre colocamos diante de nós metas a serem alcançadas e metas têm prazos. Mas precisamos tomar muito cuidado com isso. O primeiro cuidado é não sermos tão legalista a ponto de ter em mente cumprir um prazo a qualquer custo e o segundo é o contrário, é a procrastinação que nos impede de cumprir objetivos num tempo determinado.
A sabedoria da Palavra de Deus é imensurável quando nos ensina a viver um dia de cada vez, a viver apenas o que eu posso fazer hoje. O ontem passou e não podemos voltar atrás e refazer nada. E sobre amanhã, não sabemos nada sobre ele por mais que façamos listas do que “preciso fazer…”.
Qual a nossa alternativa? Muito simples! Além de viver cada dia como se fosse o último de nossas vidas, fazendo o que é preciso fazer neste dia chamado “hoje”, descansar verdadeiramente em Deus quando não damos conta de fazer algumas coisas… Lembra de Noé? Ele descansava em Deus enquanto construía aquela arca enorme!!!
Que sejamos assim construtores fiéis mas descansados naquele que sabe o que é melhor para nós e faz o que é melhor para nós!
Aleluia!
Um desafio para mim e para você!
O texto da Bíblia começa dizendo que “No princípio, criou Deus os céus e a terra”. Não começa com uma apresentação formal de Deus, sua pessoa ou de seus atributos. Não é necessário. A palavra que conhecemos por Deus no contexto judaico-cristão tem origem na língua hebraica (el) e tem por significado básico “aquele que tem todo o poder e toda autoridade para…; aquele que está acima de tudo e que tudo governa”. Não é um nome, é um título. E aquele que está acima de todas as coisas e que tudo governa, criou os céus e a terra, maravilhosos, perfeitos, adequados para a nossa habitação, a habitação da humanidade.
Mas este homem criado por Deus queria ser mais, queria ser igual a Deus e desobedeceu uma ordem simples, não comer o fruto de uma árvore específica. Desobedecendo trouxe juízo sobre toda a humanidade, sendo assim todos pecamos. Nossa vida se transformou numa rotina de buscas e desacertos e só quando voltamos ao caminho, encontramos de novo a nossa rota, só assim somos menos perdidos.
E a nossa rota tem um nome. Foi prometido por este Deus que tudo pode e tudo vê, que está em todo o lugar ao mesmo tempo, que é eterno (ontem, hoje e amanhã tudo ao mesmo tempo). O nome é Yeshua – aquele que salvará o mundo ( o cosmos) de seus pecados. Ele veio ao mundo há dois mil anos anos, viveu como cada um de nós vive e provou por A + B que podemos viver sem errar o alvo, que podemos viver os princípios da moral e ética cristã sem peso, entregando a Ele nossa vida.
Ele ensinou que o evangelho – as boas novas são a justiça, a verdade e a fé. Ele também nos ensinou a amar o criador de todas as coisas acima de todas as coisas, acima de tudo. Nos ensinou a colocar o outro em primeiro lugar, sempre. E neste dia que oficialmente se comemora seu nascimento, mesmo que ele não tenha nascido em dezembro, eu me desafio e deixo o mesmo desafio para você: viver as boas novas, viver o evangelho, viver a justiça, a verdade e a fé. Viver em justiça, verdade e fé.
Buscai primeiro o Reino, o Reino de Deus e todas, todas as outras coisas te serão acrescentadas!!!!
Aleluia!
As minhas janelas
Da mesma forma que nossos olhos são a janela do nosso corpo, ou seja, pelos olhos vemos a realidade que nos cerca, nos emocionamos, sendo ainda que cada um vê de forma diferente, as janelas pelas quais olhamos traduzem com suas paisagens e formas nossos anseios e sonhos. Vamos longe olhando por uma janela… E eu quero relembrar algumas das minhas janelas de 2018.
Comecei o ano olhando por uma janela do 12º andar do prédio onde morava. Um prédio alto e isolado de onde eu podia ver a cidade de vários ângulos. Como eu me deliciava esperando o amanhecer ou o por do sol, muitas vezes sentia medo do barulho do vento e da chuva que caia forte lá fora. Vários frames, diversas emoções. Esta janela começou a abrir horizontes e mudar minha vida. Ela me levou a outras janelas.
Em abril de 2018, conheci a vista de uma janela muito especial. Uma paisagem calma, um vento às vezes muito frio, mas lá longe sempre havia o mar e o sol. Quanta paz e quanta segurança. Uma janela assim não se esquece.
No mesmo abril eu me apaixonei por outra janela, uma nova vista da casa nova onde moro hoje. Cada amanhecer me alegra, me dá esperança e cada por do sol vem com a sensação de missão cumprida, de mais uma oportunidade para o próximo dia. Já são vários amanheceres e por do sol. Cada um deles me emociona muito.
Mas, não para por aí. Em maio eu me deparei com uma maravilha. acordei de madrugada e lá estava ela, a lua. A lua banhava o mar, uma cena para não esquecer. não consegui registrar tudo numa foto mas o registro está muito claro em meu coração e em minha mente. Que janela estupenda!
Julho, mês do meu aniversário, de grandes decisões e ações em direção às decisões. Neste mês eu conheci mais uma janela, nas montanhas, uma natureza belíssima. Para qualquer pessoa pode ter sido apenas mais uma janela de uma casa onde você passa poucos dias mas não para mim. Havia dias em que eu abra aquela janela , olhava as montanhas, respirava fundo e dizia pra mim mesma: é isso, estou no caminho certo!
Sempre voltando à minha janela de casa onde parece que o céu está dentro de casa e pertinho de mim, sempre voltando pra casa…

E chega novembro! De uma janela que eu já conhecia acompanhei um árvore perder as folhas, vi o frio chegar, vi dias de céu imensamente azul e vi sonhos se realizar. Trinta dias desta janela e nesta janela me trouxeram convicções plenas sobre assuntos que eu só imaginava de longe.
Mas encontrei janelas de onde eu não via o céu, não via o sol ou a lua, mas eu sempre soube que eles estavam lá. Sempre estariam lá pra mim. E também janelas muito belas mas que não eram para mim. Destas eu guardo a beleza das fotos.
Tudo isso pra dizer que não estamos fechados em nós mesmos. Se mudamos a direção do nosso olhar encontraremos outras alternativas e com certeza uma imensidão de coisas a serem vividas e que Deus, em sua infinita graça e sabedoria sempre está presente em cada uma de nossas janelas, em todos os lugares, o tempo todo.
O que as janelas tem em comum? Sempre me trazem à mente e ao coração a grandeza do amor de Deus, expressa pela perfeição da criação.
A Ele toda honra e toda glória!
Aleluia!
E 2018 está terminando…
2018 foi um ano incrível pra mim em todos os sentidos, em todos mesmo. E ser incrível não quer apenas dizer que tudo foi tão bom que era inacreditável estar acontecendo; quer dizer também que muitas coisas não tão boas aconteceram e estas também foram incríveis, inimagináveis, daquelas que a gente só vê em filmes.
Aliás, não é de hoje que quem me conhece sempre diz que a minha vida daria um bom livro, um filme…, ou melhor dizendo vários livros e vários filmes. Mas vamos deixar assim, vou repassar 2018 com algumas ideias, experiências e aprendizado porque têm coisas que só entre a gente e Deus, não é mesmo?
Não serei cronológica mas temática de uma forma diferente. Vou falar de estradas, janelas, aeroportos, cidades, mares, montanhas, e cada um destes temas trouxe aprendizado e experiências maravilhosas em minha vida.
No próximo post vou falar de janelas, das minhas janelas de 2018. Quem me acompanha no Facebook já deve ter visto fotos de algumas delas.
Até lá!
Conversão…
Tenho percebido pelo caminho muita confusão na comunidade cristã pela falta de entendimento unificado de alguns termos bem simples. Olhamos para o texto bíblico e em vez de mergulhar no conhecimento do contexto da época e extrair princípios para o nosso dia a dia, em muitas ocasiões, tomamos literalmente o texto e o aplicamos nos dias de hoje. Um problema porque ninguém entende nadica de nada.
Já faz algum tempo que tenho seguido a orientação de explicar cada palavra do texto bíblico minuciosamente, ressaltando os princípios e aplicando-os no nosso cotidiano. A conversão, por exemplo, o que significa mesmo? Já ouvi várias definições das mais simples às mais rebuscadas mas com pouca efetividade. Algumas definições são até mesmo mirabolantes. Mas o que é a conversão? Simples. A consciência do pecado me faz convergir, corrigir minha rota de vida, convertendo-a Cristo, adequando-a à uma nova realidade de vida. Percebo que sou pecador (em Adão) e que por meio do sangue derramado por Cristo, de sua morte e ressurreição tenho uma nova vida que não se resume somente aos nossos dias do nascimento à morte. Creio pela fé (que me é dada por Deus) e pela ação do Espírito Santo (que me convence do pecado, do juízo e da justiça) e me faz entender e crer em Jesus como meu Salvador em primeiro lugar e depois como meu Senhor. Isto tudo é um processo e muitas vezes não entendemos muito bem o que está acontecendo mas temos certeza de que algo está acontecendo.
É simples e não preciso de muita teologia para viver este processo e depois falar dele.
Deus é simplesmente maravilhoso!
Sim, sim; não, não.

Seja, porém a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disso passar vem do maligno Mateus 5:27
Lendo o Sermão do Monte sempre me deparo com verdades que transformam as nossas vidas. E o “sim, sim; não, não” tem me incomodado particularmente nestes últimos tempos.
Não é somente por causa do significado das palavras, pois a falta de viver assim significa uma vida de mentira e a mentira não tem nada a ver com o nosso Deus. Mas tem me chamado a atenção a questão da falsidade. Sim, falsidade mesmo.
Explico melhor: ninguém é de fato o que aparenta ser, ninguém é de fato sincero, íntegro, inteiro no que diz e naquilo que faz. Nosso dia a dia é cercado de meias verdades e dificilmente uma pessoa expõe aquilo que pensa verdadeiramente, o que sente verdadeiramente e o que precisa verdadeiramente.
Neste último caso a situação é mais complicada ainda. As pessoas à nossa volta estão sozinhas, carentes, necessitadas e não tem coragem de falar de sua solidão, de suas carências e de suas necessidades. Elas têm vergonha e sabe por quê? Porque neste mundo faceboquiano em que vivemos, vivemos de aparência e tudo que cheira a problema nos afasta do outro.
Até mesmo nossas orações estão corrompidas, se transformaram em rezas. Uma repetição infinda da lista de tudo o que queremos ou daquilo que pensamos que queremos. Sinceridade de coração, singeleza no falar, intimidade? Não sei não…
Pensei até em fazer um desafio mas achei meio sem propósito porque somos “cristãos”, né? Pensei em desafiar a mim mesma e vocês a uma semana de “sim, sim; não, não”. Mas a gente é crente, certo? A gente não precisa fazer isso porque o “sim, sim; não, não” faz parte do nosso dia a dia… Não é verdade?
Pense about…
E já não são…
“Os perversos serão derrubados e já não são, mas a casa dos justos permanecerá.” Provérbios 12: 7
Vivemos num mundo realmente estranho atualmente. Tudo está funcionando muito rápido não é trabalho, na escola, nos relacionamentos. Nossa vida se transformou num esquema de ” fast food “. Julgamos apenas pela aparência sem nenhuma análise um pouco mais profunda. Vale o que parece ser e não o que é, de fato.
Estamos vivendo um momento em que uma comunidade tem sido provada de todas as formas. O dinheiro está passando por várias crises de cunho moral e financeiro e, é claro, isso repercute em nossa vida diária. Não é tão importante como as pessoas que estão vivendo momentos de grande aflição no nosso meio.
Esta verdade afirmada em Provérbios capítulo 12 versículo 7 é muito importante e precisa ser entendida corretamente. Quem julga quem é perverso ou justo não é eu e nem é você. Quem julga é o Senhor. Quem é você ou não, é o senhor. Nem toda casa que “parece” derrubada, está derrubada, ela pode estar em reconstrução, sendo restaurada ou reformada. Da mesma forma, nem tudo o que aparenta ser bonito resplendor é de fato, glorioso ou belo ou correto.
Então, pode chegar a seguinte conclusão: Ele vê o coração e sustenta, mas não olha para a aparência. Nós é que olhamos para a aparência e julgamos e somos julgados por ela.
Pense sobre …




