Sou primeira filha, primeira neta e acho que até primeira bisneta. Passei minha infância sendo muito mimada pelos meus avós. Dois lindos, maravilhosos, melhores avós do mundo! Me ensinaram muito, mas uma história me marcou profundamente. Eu acreditava neles de olhos fechados. Tudo o que eles falavam era verdade pra mim. Eles eram meus super super super heróis. Então…
Meu avó era muito bem humorado. Adorava contar piadas, histórias engraçadas. Quando eu estava com ele, sentada em seu colo, só queria saber das histórias do vovô. Eu amava demais estes momentos.
Lembro de um dia muito especial, eles me deixaram sozinha em casa por algum motivo. Eu não tinha mais que cinco anos. Foi algo muito rápido mas na mente de uma criança o tempo fica marcado de forma diferente… pareceu muito tempo. Tempo suficiente para abrir armários, olhar debaixo de todas as camas, vasculhar a despensa, mexer na cristaleira (local que era totalmente proibido pra mim) e nada de achar o que estava procurando. Caí em prantos, desolada, sentada no chão da cozinha. Foi assim que meu avô me encontrou.
Primeira pergunta:
___ Betinha, minha querida, o que foi? O que você está fazendo aí?
No meio do choro, respondo:
___ Eu não achei, vovô, eu não achei. Não achei seu Bauzinho de Piadas!
Explico: sempre que eu perguntava para meu avô de onde ele tirava tantas histórias e piadas, ele dizia que tinha um bauzinho guardado em casa e tirava de lá quando as dele acabavam. Imagine! Um suprimento sem fim de histórias alegres. Eu queria isso pra mim e por isso, eu estava atrás do “Bauzinho” aquele dia.
Meu avó riu muito, me abraçou carinhosamente e disse:
___ Betinha, não tem bauzinho de histórias e piadas não. É mais uma história do vovô. Fica tudo aqui óh ( ele apontou para a cabeça dele). Cabe tudo aqui dentro. aprende uma coisa, minha filha, aqui dentro (da cabeça) cabe o mundo e ninguém pode tirar o que você guardar aqui. Guarde as histórias do vovô na sua cabecinha e você nunca esquecerá o vovô.
Emocionada, eu digo que, não só nunca esqueci meu querido avô Manuel que morreu sorrindo, mas aprendi para o resto da vida que ninguém pode tirar de mim o que aprendo, minhas experiências. É de verdade um grande tesouro!!
Saudade de ser criança! Saudades do vovô!!