Àqueles que professam Jesus Cristo como Salvador e Senhor.
O Brasil passou por mais um processo eleitoral. As urnas expressaram a escolha da maioria dos eleitores que participaram da votação. Para muitos cristãos, o resultado trouxe preocupação, tristeza e profundas perguntas sobre o futuro da nossa nação.
Mas há uma pergunta que considero ainda mais importante:
Qual deve ser a postura da Igreja de Jesus Cristo diante deste novo tempo?
Não escrevo estas palavras para defender a perfeição de um candidato. Nenhum homem é perfeito. Nenhum governante é nosso salvador. Nenhum projeto político pode ocupar o lugar que pertence exclusivamente ao Senhor.
Entretanto, não podemos ignorar que existem princípios estabelecidos nas Escrituras que não estão sujeitos às mudanças da sociedade, às conveniências políticas ou às decisões dos governos.
A vida humana possui dignidade porque o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1.26-27). A família, a sexualidade, a justiça, a verdade e a responsabilidade moral não são assuntos indiferentes à fé cristã.
É legítimo que cristãos tenham avaliações diferentes sobre candidatos, partidos e propostas políticas. Mas não é legítimo tratar a Palavra de Deus como algo que podemos modificar para acomodar nossas preferências.
Jesus declarou:
“Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá.” (Mateus 12.25)
Essas palavras foram pronunciadas em um contexto específico, mas nos convidam a refletir sobre a importância da unidade.
A Igreja brasileira precisa perguntar a si mesma se temos permitido que nossas divisões, nossas preferências pessoais e nossas disputas políticas obscureçam aquilo que deveria nos unir: a fidelidade a Jesus Cristo e à sua Palavra.
Nossa unidade não deve estar fundamentada em um partido ou candidato, mas naquele que é o Senhor da Igreja.
E talvez seja exatamente neste momento que tenhamos diante de nós uma oportunidade extraordinária.
A oportunidade de demonstrar que nossa fé não depende de um governo favorável.
A oportunidade de anunciar as Boas-Novas com ainda mais coragem.
A oportunidade de ensinar às novas gerações aquilo que as Escrituras realmente dizem, sem omissões, sem adaptações convenientes e sem medo de contrariar o pensamento dominante.
A oportunidade de defender a dignidade da vida, a verdade, a justiça e os valores bíblicos, sem abandonar o amor ao próximo.
Porque precisamos compreender algo fundamental:
Fomos chamados para ser sal da terra e luz do mundo.
Jesus não nos prometeu que viveríamos sempre sob governos que concordassem com a nossa fé. Ao contrário, preparou seus discípulos para permanecerem fiéis mesmo diante da oposição.
Os primeiros cristãos anunciaram o Evangelho em um mundo profundamente contrário aos princípios que professavam. E foi naquele ambiente que o testemunho da Igreja se expandiu.
Não porque possuíam o poder do Estado, mas porque conheciam o poder do Evangelho.
O apóstolo Paulo escreveu:
“Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.” (Romanos 1.16)
É esse poder que precisamos anunciar.
Não podemos permitir que a indignação política substitua a pregação da Palavra.
Não podemos permitir que o medo do futuro nos faça esquecer quem governa a história.
Não podemos permitir que nossa oposição a determinadas ideias se transforme em ódio contra as pessoas que as defendem.
Precisamos ser firmes em nossas convicções e, ao mesmo tempo, irrepreensíveis em nosso testemunho.
Isso significa estudar mais as Escrituras, ensinar nossos filhos, fortalecer nossas famílias, participar responsavelmente da vida pública, defender nossas convicções pelos meios legítimos e, sobretudo, anunciar Jesus Cristo.
Significa também orar pelas autoridades, inclusive por aquelas com as quais discordamos, conforme nos ensina 1 Timóteo 2.1-2.
A nossa esperança nunca esteve depositada nas urnas.
A nossa esperança está naquele que reina soberanamente sobre todas as nações.
E se os próximos anos trouxerem dificuldades, que elas não nos encontrem paralisados, mas preparados para servir.
Se houver oposição, que encontrem em nós perseverança.
Se houver confusão, que encontrem em nós o ensino fiel das Escrituras.
Se houver desesperança, que encontrem em nós a proclamação das Boas-Novas.
Igreja brasileira, este não é o momento de recuar.
É tempo de voltar à Palavra.
É tempo de recuperar a responsabilidade de ensinar.
É tempo de abandonar uma fé apenas declarada e viver uma fé verdadeiramente praticada.
É tempo de compreender que nossa missão é muito maior do que vencer uma eleição.
Porque governos passam. Ideologias passam. Projetos humanos passam.
Mas a Palavra do nosso Deus permanece eternamente. (Isaías 40.8)
Que, ao olharmos para este período da nossa história, não tenhamos de lamentar as oportunidades que perdemos por estarmos ocupados demais com nossas divisões.
Que sejamos encontrados fiéis.
Que anunciemos a verdade com coragem e amor.
E que, acima de todas as coisas, o nome de Jesus Cristo seja glorificado em nossa nação.
O resultado das urnas não encerrou nossa missão. Talvez tenha apenas nos lembrado da urgência dela.
Shalom
Profa. Beth Alves Pinto
